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James Brown era o tal. O Maior Trabalhador do Show Business. O Chefão do Soul. O Senhor Dinamite. O homem que simplesmente inventou o funk e foi influência decisiva no surgimento do hip-hop. Um dos maiores nomes da música do século 20, comparável a Elvis Presley e aos Beatles. Um gênio indomável e uma personalidade controvertida, capaz de levantar bem alto a bandeira dos direitos civis na América dos anos 1960 e, ao mesmo tempo, tratar os integrantes de sua banda como um tirano, multando quem errasse uma nota ou estivesse com os sapatos mal engraxados.

Nesta foto Michael Jackson está muito sexy e charmoso… Ai, ai!

Cerca de 100 entrevistas

No livro James Brown – Sua vida, sua música, recém-lançado no Brasil pela Editora Leya e descrito pelo “New York Times” como “hipnotizante”, o jornalista americano RJ Smith tenta decifrar o enigma por trás desse mito a partir de cerca de cem entrevistas e do relato de diversas viagens pelos estados da Geórgia e da Carolina do Sul, onde Brown passou a infância, sem os pais, criado no bordel de uma tia e depois “educado” num reformatório.

“Para um escritor, James Brown é um assunto irresistível. Era uma personalidade imensa e contraditória, um tirano que fazia uma música incrivelmente livre de qualquer barreira”, diz Smith sobre o músico, morto em 2006, de problemas cardíacos, aos 73 anos. “Não há nada simples sobre James Brown ou sua arte. Entrevistei mais de 100 pessoas, e nenhuma sabia dizer quem Brown realmente foi”.

Nas raízes de Brown, da infância difícil à adolescência complicada, quando chegou a engraxar sapatos e colher algodão para sobreviver, Smith encontrou algumas respostas para o comportamento errático e imprevisível do astro.

“Quando jovem, ele sentia que nunca tinha controle sobre sua vida, sem saber se os pais estariam presentes ou se teria o que comer. Isso gerou uma obsessão pela disciplina, aprendida nos tempos de reformatório, e também um grande medo de ser abandonado. Por isso tratava tão mal seus músicos e qualquer namorada ou mulher que ameaçasse abandoná-lo”.

A mão de ferro com os músicos não impediu que Brown estivesse sempre acompanhado pela elite do soul e do rhythm and blues, como o saxofonista Maceo Parker, o guitarrista Jimmy Loven, o trombonista Fred Wesley e o baixista Bootsy Collins. Mas o seu maior interesse era mesmo a percussão. Era o ritmo, em intrincadas combinações, que deveria comandar as canções. Por isso, Smith usa os bateristas de Brown – craques como Clyde Stubblefield e Jabo Starks, que, mais tarde, seriam sampleados à exaustão pelos artistas de hip-hop – como condutores da história.

“Foi um risco, já que ele sempre teve excelentes músicos a seu lado, mas usei os bateristas como condutores porque eles simbolizavam uma tradição bem antiga, que remonta à África e a seus ritmos”, conta o autor. “Além do mais, eram os bateristas que controlavam a fluidez das músicas. Quando um novo integrante se juntava ao grupo, ele tinha que se sentar com o baterista e aprender as canções”.

No livro, Smith relata os altos e baixos da carreira de Brown, a luta contra o racismo, o desastrado apoio ao presidente Nixon (“Um dos seus maiores erros”), as fortunas perdidas, as passagens pela prisão, a inveja do sucesso de Michael Jackson e a crença, até os últimos dias, na própria imortalidade.

“Ele acreditava que tinha superado os piores obstáculos: pobreza, racismo, violência e prisão. Por isso, gostava de pensar que era um verdadeiro imortal, embora continuasse a lutar pela vida até o último minuto”.

Parece que o escritor foi fiel a história de vida de James Brown.

Lyllyan

Fonte: Diario de Pernambuco