Nos dez anos de sua morte, não há acusação que faça Michael Jackson ser menos lucrativ


Olá,

Naquele 25 de junho de 2009, antes de o mundo receber a chocante notícia da morte prematura de Michael Jackson, aos 50 anos, vítima de intoxicação por propofol e benzodiazepina, a expectativa que rondava o Rei do Pop era outra. Após anos de reclusão que sucederam o midiático julgamento por abuso sexual de um garoto de 13 anos (do qual sairia absolvido de todas as acusações, em 2005), ele preparava seu retorno com a turnê “This is it” (teoricamente, sua despedida dos palcos), com 50 shows previamente esgotados na 02 Arena, em Londres. A 17 dias da estreia, Michael Jackson saía de cena.

Michael Jackson durnate show no estádio do Dínamo, em Moscou, em setembro de 1996 Foto: Alexander Natruskin / Reuters

As principais dúvidas que cercavam aquele recomeço giravam em torno da capacidade do astro americano, dono de três dos quatro álbuns mais vendidos da história até hoje, de retomar de maneira digna uma trajetória artística até então brilhante. Seria ele fisicamente capaz? Uma bateria de exames proposta em contrato pela produtora AEG Live provara que sim. Mentalmente? Essa é uma das tantas questões que seguem sem resposta até hoje, quando se completa uma década de seu adeus.

O fato é que, assim como toda sua vida, os anos que sucederam a morte de Michael Jackson vêm sendo marcados por conquistas artísticas e questionamentos sobre sua conduta pessoal — principalmente após a veiculação, em março, do documentário “Leaving Neverland”, da HBO, em que Wade Robinson e James Safechuck relatam abusos cometidos por Michael Jackson quando ainda eram crianças.

À frente dos Beatles

Um dos artistas mais influentes de sua época, ele segue relevante, seja em reproduções no streaming, meio ainda embrionário em 2009 (é, atualmente, o 85º artista mais ouvido do mundo no Spotify, superando nomes como Beatles, Prince e Madonna), inspirando estrelas como Justin Timberlake, Bruno Mars e Justin Bieber, e dando (muito) dinheiro para aqueles que usufruem de seu espólio. Para ser mais exato, segundo dados da “Forbes”, a família de Jackson já arrecadou US$ 2,4 bilhões desde a morte do cantor, há 10 anos — US$ 400 milhões só no ano passado. Basicamente, mais do que ele acumulou em toda a sua vida — estimado em US$ 2 bilhões, com valores ajustados à inflação. Entre 2010 e 2018, MJ só não liderou a lista anual de celebridades mortas que mais arrecadaram em 2012.

“Por uma perspectiva puramente de negócios, é difícil imaginar que gravadoras e representantes abandonem Michael Jackson. Deixando de lado o debate ‘fez ou não fez’ e falando puramente do lado artístico, o Rei do Pop é a estrela por trás do disco mais vendida da História (‘ Thriller’)”, explicou o veterano advogado da indústria do entretenimento Bernie Resnick.

Além dos direitos autorais, uma série de fatores explica o fato de Michael Jackson ser mais lucrativo após sua morte. O principal deles é que seu patrimônio cresceu consideravelmente após a venda de direitos de músicas de outros artistas adquiridos por ele. Em 2016, a Sony Corporation pagou US$ 750 milhões pela fatia de Michael Jackson na Sony/ATV, que contava, entre outros, com o acervo dos Beatles. No ano passado, a Sony pagou mais US$ 287,5 milhões para o espólio de MJ, dessa vez de sua parte na EMI Music Publishing — os herdeiros seguem tendo direito em cima das canções de Michael Jackson pela Mijac Music.

O nome Michael Jackson ainda faz muito dinheiro a partir de produções que envolvem sua imagem e sua obra. O espetáculo “Michael Jackson: ONE”, do Cirque du Soleil, em cartaz em Las Vegas desde 2013, tem datas confirmadas até dezembro de 2019, pelo menos. Todas as sessões próximas estão praticamente esgotadas, e em novembro já há datas com mais da metade da lotação vendida. E o musical da Broadway “Don’t stop ‘till you get enough”, segue confirmado para 2020. Outro exemplo mais próximo: aprovado pela família, o espetáculo “Tributo ao Rei do Pop”, estrelado pelo paulista Rodrigo Teaser, teve apresentações esgotadas ontem e anteontem no Vivo Rio, com ingressos que custavam até R$ 200. Ao longo do ano, o show terá excursões por outros continentes.

Michael Jackson é sinônimo de dinheiro certo! 

Lyllyan

Fonte: O Globo

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