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Há 35 anos, Michael Jackson hipnotizava mais de 50 milhões de norte-americanos que assistiam ao especial de 25 anos da Motown, exibido pelo canal NBC. Na atração cheia de requinte, ele fez um performance avassaladora de ‘Billie Jean’, seguida de um moonwalk que se converteria em sua marca registrada.

O especial batizado de ‘Motown 25: Yesterday, Today, and Forever’ havia sido gravado dois meses antes no auditório Pasadena Civic, na Califórnia. A plateia era composta apenas por convidados: executivos, compositores e profissionais do mercado da música.

No palco, grandes ícones fizeram apresentações que celebravam o legado da gravadora, incluindo Diana Ross e The Supremes, Marvin Gaye, The Miracles e Stevie Wonder. Entretanto, a presença de todas aquelas superestrelas foi ofuscada pelo brilho de um jovem astro pop que seguia em direção ao topo.

No livo ‘Intocável: A Estranha Vida e Trágica Morte de Michael Jackson’, a autor e ex-editor da Rolling Stone, Randall Sullivan, conta que Michael Jackson, com 25 anos na época, só aceitou participar do especial sob a condição de poder mostrar um número solo de ‘Billie Jean’ – hit que nada tinha a ver com o catálogo da Motown.

Na noite em que o programa foi ao ar, o disco ‘Thriller’ estava há quatro meses nas lojas e ‘Billie Jean’ era a música mais tocada nos EUA. Talvez o astro não soubesse que aquele seria um momento histórico para a música pop, mas preparou tudo com extrema precisão para torná-lo um.

A participação de Michael Jackson no especial começou com uma espécie de reencontro dos Jacksons. Ele fez o vocal de ‘I Want You Back’ e em seguida participou de um dueto de ‘I ll Be There’ com o irmão Jermaine Jackson. Ao final, eles trocaram abraços e as luzes se apagaram. O espetáculo de Michael Jackson estava para começar.

Sullivan ressalta que a sensação coletiva no auditório era de que ele parecia diferente de como todos lembravam.

“Ele sempre foi magro, mas agora estava ágil. A dieta macrobiótica que ele havia adotado e os tratamentos dermatológicos que fazia haviam derrotado sua acne. Sua pele estava mais clara, mas ainda escura, o nariz um pouco estreito, mas não alterado de uma maneira feminina. Seu cabelo afro alto e rígido havia se transformado em cachos macios.”

A figurino que Michael Jackson usou naquela noite é lembrado até hoje um dos clássicos de sua carreira: jaqueta preta de lantejoulas com punhos brilhantes, calças pretas com a barra na altura do tornozelo, meias brancas reluzentes, mocassins pretos e a peça indefectível: uma luva coberta de strass na mão esquerda.

“Essas músicas eram boas. Eu gosto muito dessas músicas. Mas eu gosto especialmente… das novas músicas”, sussurrou Michael Jackson antes dos acordes de baixo que abrem ‘Billie Jean’ tomar conta do auditório. Ele colocou um chapéu preto na cabeça e começou a fazer movimentos rápidos e cadenciados com pernas, braços e a pélvis. Música e dança se encontravam ali de um jeito inédito da carreira do astro.

A cereja do bolo durou poucos segundos, com Michael Jackson deslizando suavemente para trás parecendo caminhar para frente. O moonwalk, passo tradicional de um estilo de dança urbana chamado popping, já era praticado James Brown nos palcos. Naquele 16 de maio de 1983, entretanto passou a ser um sinônimo de Michael Jackson.

“A reação foi mais do que uma ovação de pé. As pessoas realmente subiram em suas cadeiras para aplaudi-lo. Chorando e rindo, os espectadores na plateia cumprimentavam-se por ter estado lá e visto isso. Podia-se sentir o arrebatamento da multidão mesmo através de uma tela de televisão quando o show Motown 25 foi ao ar.”

Fico aqui pensando qual é o outro artista que consegue ou conseguiu ser lembrado quando fez o primeiro passo de dança mais famoso do mundo, que teve os álbuns mais vendidos em todos os anos, o clipe mais caro do mundo, tiveram as músicas que ficaram mais tempo nos primeiros lugares e assim por diante?

Então como é que algum artista conseguirá ultrapassar Michael Jackson, ainda mais no quesito “lembranças”?

E melhor cada artista seguir seu caminho sem pensar em superar Michael Jackson porque será perda de tempo.

Lyllyan

Fonte: Huff Post Brasil