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A estação espacial chinesa Tiangong-1 está no fim da vida e nos próximos dias vai reentrar na atmosfera terrestre para selar o seu destino e “morrer” na Terra. A maior parte da estrutura deverá arder neste voo de regresso ao planeta de onde saiu. A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) divulgou na quinta-feira imagens da Tiangong-1 quando se encontrava a 270 quilômetros de altitude.

A última viagem da estação está a ser monitorizada pelo Departamento de Detritos Espaciais da ESA e pela Comissão de Coordenação Interagências para os Destritos Espaciais (IADC, na sigla em inglês). Esta última entidade reúne 13 agências espaciais e outras organizações, que vão aproveitar este fenômeno para testarem instrumentos e previsões relacionadas com o calendário da reentrada e o trajeto que trará a Tiangong-1 de regresso à atmosfera terrestre. Cada membro da IADC acompanhará os dados de radar e de outras fontes que têm vindo a ser registados e tentará prever quando e por onde se dará a reentrada daquela estação. O objetivo deste procedimento experimental, explica a ESA, é “verificar, analisar e melhorar a precisão das previsões de todos os membros” da IADC.

A imagem que foi divulgada é na realidade uma composição feita a partir de duas imagens diferentes, obtidas pelo sistema de Rastreamento e Imagem por Radar (TIRA, em inglês) do instituto de investigação Fraunhofer FHR, em Wachtberg, perto da antiga capital alemã, Bona. Diz a ESA que o sistema que permitiu obter tais imagens quando a estação se encontrava a 270 quilômetros de altitude “é dos mais poderosos” do mundo.

A Tiangong-1 está desocupada desde 2013 e deixou de estar em contato com a Terra em 2016. Tem 12 metros de comprimento e um diâmetro de 3,3 metros. Quando foi lançada, tinha 8506 quilogramas de massa. Atualmente, estará a uma altitude de 200 quilômetros (em Janeiro estava a 300 quilômetros), seguindo uma órbita que “muito provavelmente a fará [entrar na atmosfera terrestre] entre 31 de Março e as primeiras horas da manhã de 2 de Abril”, sintetiza a ESA. Devido ao processo de desintegração por que deverá passar e às “variações nas dinâmicas atmosféricas”, não é possível determinar com certeza a data, a hora e a localização geográfica da reentrada. Como diz a ESA, é apenas possível “estimar com elevado grau de incerteza”.

A Tiangong-1 – cujo nome significa Palácio Celeste – foi a estreia chinesa no lançamento de estações para o espaço. Partiu em Setembro de 2011 e colocou-se em órbita a cerca de 350 quilômetros de altitude – apenas uns 50 quilômetros mais abaixo da Estação Espacial Internacional.

Esta Páscoa será com emoção porque poderá cair uma estação espacial no seu país, Estado, cidade, bairro, no quintal da sua casa… Que loucura!

Fonte: Público