Sede da Copa, Ecaterimburgo abriga paradoxos como uma estátua de Michael Jackson


Olá,

Dos Romanov a Michael Jackson, Ecaterimburgo, nos seus quase 300 anos, passeia pela história soviética e encontra a modernidade nos símbolos ocidentais. A quarta maior cidade da Rússia, que receberá quatro jogos da primeira fase na Copa do Mundo de 2018, é capaz de abrigar uma igreja erguida em homenagem aos últimos czares e a estátua do ícone pop americano em uma das mais movimentadas avenidas.

Michael Jackson e outros imortalizados em estátuas, no entanto, não são capazes de rivalizar com a família Romanov. A cidade, que carrega o nome de Catarina, mulher do czar Pedro, o Grande, ficou marcada pelo assassinato da família de Nicolau II, o último imperador russo. Ele, sua mulher Alexandra e os cinco filhos foram executados por bolcheviques em 1918, na Casa Ipatiev, onde estavam presos após a Revolução Russa. Logo depois, o nome da cidade passou a ser Sverdlovsk, homenagem ao líder revolucionário Iakov Sverdlov. Denominação que caiu em 1991 com o fim do regime.

Durante o período comunista, a casa foi demolida pelo ex-presidente russo Boris Yeltsin, então governador da região e o mais ilustre político local, que também ganhou sua própria estátua. Até que, em 2003, foi construída no lugar a Igreja do Sangue em Honra de Todos os Santos Resplandecente na Terra Russa, após a canonização dos Romanov pela Igreja Ortodoxa Russa.

A partir de junho, no entanto, a peregrinação de turistas trocará a Igreja do Sangue pelo Estádio Central, do clube Ural. Arquiteturas e propósitos bem diferentes, é claro. Nas arquibancadas, os milagres esperados virão em gols de Luis Suárez, Griezmann, entre outros.

Ao contrário do templo religioso, o estádio é bem mais modesto. A capacidade original de 27 mil pessoas estava fora do padrão exigido pela Fifa. Para a cidade não ficar fora do Mundial, foi dado um jeitinho russo. Estruturas metálicas provisórias foram colocadas praticamente fora da arena, mudando a arquitetura original. Assim, o local chegou aos 45 mil lugares. Não à toa, foi o estádio mais barato da Copa, com o custo de pouco mais de R$ 700 milhões.

EFERVESCÊNCIA

Entre os intervalos dos jogos, há muito mais o que aproveitar em Ecaterimburgo, que oferecerá aos turistas dias longos de verão, com médias de 18 graus. Dias extremamente quentes para os padrões russos. Na sede da Copa mais oriental, é possível dar uma escapada rápida até a Ásia sem sair do país. Não muito longe do centro, há o monumento Europa-Ásia, que demarca o local por onde passa o meridiano que divide os dois continentes. Ou, quem sabe, um passeio na linha dos Montes Urais da famosa Transiberiana, que corta o país até a China em quase 10 mil quilômetros de extensão.

A cidade, que recebeu importantes indústrias durante a Segunda Guerra Mundial, também tem vida cultural ativa, com o Teatro de Ópera e Balé, um prédio elegante construído em 1912, museus e bibliotecas. Na rua Vainera, os músicos se apresentam ao ar livre. Antes ou após os jogos, vale apreciar a música local (ou não) e saborear um prato típico, como o shashlyk, espécie de churrasquinho de carne de cordeiro e legumes.

Deixem eles homenagear Michael Jackson.

Lyllyan

Fonte: O Globo

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