Há 34 anos, Michael Jackson dava ao mundo uma nova forma de expressão musical


Olá,

Há 34 anos, Michael Jackson dava ao mundo o que muitos consideram sua obra-prima, “Thriller”. Uma coletânea de nove canções que gerou nada menos que sete singles. Todos os números que permeiam o sexto álbum solo do ex-Jackson 5 são faraônicos, sendo o principal deles a quantidade de cópias vendidas, algo na casa dos 60 milhões. Mas um fator, que também refletia essa megalomania, do disco e do próprio Michael, mudaria para sempre a forma de se vender uma música. O clipe de “Thriller”, a música que deu nome à bolacha, alçou o vídeo, como era chamado nos Estados Unidos, a um patamar cinematográfico. Tinha roteiro, direção de arte, figurino e tudo creditado ao fim da ‘película’.

Não foi a primeira tentativa de se fazer algo parecido. Apesar de “Thriller” (o disco) vir ao mundo em novembro de 1982, Michael esperou até dezembro do ano seguinte para mandar o vídeo. Mas se avaliarmos os vídeos dos primeiros singles já veríamos o ensaio do que estaria por chegar, principalmente o clipe de “Beat It”, em que uma briga de gangues transforma-se numa das mais icônicas coreografias do pop. O outro era “Billie Jean”, que eternizou o moonwalk.

Para completar, o estilo de fazer do clipe uma espécie de curta-metragem já havia sido experimentado por Lionel Ritchie naquele mesmo 1982 com “Hello”. A história narra a paixão platônica de um professor de teatro por uma aluna cega. “Hello é a primeira experiência na indústria dessa estética ancorada no curta-metragem”, diz o doutor em Comunicação e professor da UFPE, Thiago Soares.

O que faz com que esse marco tenha se tornado “Thriller” e não “Hello” é uma série de fatores. O primeiro é que Michael Jackson foi além ao convidar um diretor especialista em filme de terror, John Landis (Um Lobisomem Americano em Londres) e o uso de toda parafernália para um filme: roteiro (tendo o cantor como coautor) direção de arte, de fotografia, figurinista, película, etc, etc.

“Outra coisa é o diálogo que ele faz com o gênero musical. Ele fez um mini filme de terror musical. Por exemplo, ele vai andando com a menina e dançando. Também mostra que, além de um grande dançarino, Michael era um excepcional coreógrafo. Quem não viveu os anos 1980 perde um pouco a ideia do que Michael fazia com o corpo dele. É o que acontece ali. Normalmente as coreografias eram muito centradas na figura dele. Mas ali temos uma grande coreografia coletiva”, pontuou.

A contribuição de Landis, de acordo com Thiago, é o domínio da estética do terror, captando o espírito da canção de forma certeira. “Não podemos desconsiderar a potência da música, que trabalha com todo o imaginário de um filme de terror”. Inclui-se aí uivos, a letra e a narração cavernosa de Vincent Price, conhecido como ‘Mestre do Macabro’. “Landis construiu uma reverência nostálgica aos filmes de terror, como George Romero”, diz. Romero é o diretor do clássico A Noite dos Mortos Vivos (1968 e com remake de 1990). “Michael coreografou o filme”, aponta o Soares.

Esse encontro, para o professor, criou essa viralização em torno do clipe. E mais do que tudo, influenciou muita gente que veio depois. A força das coreografias pode ser observada nas boy bands da década seguinte. “A gente vê isso em bandas como Backstreet Boys, Take That e mais recentemente com Justin Timberlake, Justin Bieber. São todos derivados desse modelo”, lembra. Na hora de fazer clipe, o modelo curta não perdoou ninguém: do hip hop ao rock, muita gente seguiu a linha, embora ela não tenha se tornado exclusiva. “As estéticas se pluralizaram. Claro que inaugurou um modelo de narrativa que vai ser muito utilizado mas não instaura um só”, diz Thiago.

Legado

Além das já citadas influências, “Thriller”, o clipe, deixou uma marca tão forte que entrou no imaginário da cultura pop. O filme A Volta dos Mortos Vivos, parte 2 faz referência ao clipe com um dos personagens usando uma roupa igual à de Michael Jackson no vídeo. O filme De Repente 30 mostra Jennifer Garner comandando um revival da coreografia numa festa. Até as garotinhas das Chiquititas prestaram seu tributo.

No Recife, o cantor Kelvis Duran deixa bem explícita a influência do clipe mais famoso de Jakcson no vídeo para promover a música Esqueleto. Claro que numa versão com orçamento bem mais baixo. Kelvis usa uma roupa nitidamente influenciada na que Michael usa em “Thriller”, além da referência dos dançarinos vestidos como esqueletos fazendo referência aos zumbis do ‘original’.

Michael Jackson é único e insubstituível.

Lyllyan

Fonte: Entretenimento – UOL

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