Oscar 2016: Resultado valorizou ideias criativas, mas uma real transformação ainda é necessária


Olá,

As próximas edições do Oscar confirmarão se 2016 foi um ano histórico para o prêmio mais famoso de Hollywood. Na cerimônia, ficou claro que a ausência de diversidade racial e sexual entre os finalistas chegou ao limite. Qualquer resultado, portanto, perdeu parte da relevância diante das contradições apontadas pelos protestos e assumidas pela própria Academia, que já tomou providências para o futuro.

Leonardo DiCaprio recebe Oscar de melhor ator por 'O regresso'' (Foto: REUTERS/Mario Anzuoni)

A consagração de Spotlight: Segredos revelados não chega a ser uma surpresa por causa das premiações que o filme ganhou na temporada das prévias, mas chama atenção por ser um longa-metragem estruturado essencialmente por ideias. O filme, afinal, é construído principalmente por diálogos e concorria com superproduções cheias de cenas épicas. A busca por transformações políticas mostrou-se mais pertinente do que o espetáculo sensorial. É uma obra urgente sobretudo pelo alerta sobre a importância de um jornalismo independente, sem amarras ou censuras (externas ou internas). A temática torna-se ainda mais relevante diante do crítico momento atual vivido pelos jornais impressos.

Premiar Alejandro González Iñárritu por O regresso é defender uma visão mais técnica sobre o trabalho de direção. Ele havia sido mais autoral em Birdman, que carregava uma autocrítica sobre o meio artístico. No épico selvagem protagonizado por Leonardo DiCaprio, o que se sobressai são as sequências mirabolantes e o esforço que foi necessário nas filmagens. O empreendimento impressiona mais do que a essência artística.

No filme, DiCaprio está tão bom quanto em trabalhos anteriores, mas desta vez ele enfrentou adversidades físicas e também ficou com o visual bastante transformado, o que ajudou na competição do Oscar.

Mad Max: Estrada da fúria, o mais premiado da noite, foi tratado como um filme de ação e fantasia, já que os seis troféus recebidos valorizam sobretudo aspectos sonoros e visuais. Não é um resultado injusto, apesar de haver algo além no conteúdo, especialmente nas mensagens sobre o meio ambiente e as mulheres. O genial George Miller deveria ter recebido a estatueta de melhor diretor pois o trabalho do cineasta é impressionante tanto pela orquestração das cenas quanto pela originalidade criativa.

A verdadeira surpresa da premiação foi o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante vencido por Mark Rylance por Ponte dos espiões. Sylvester Stallone era o favorito pela atualização de Rocky Balboa em Creed, só que seria um resultado influenciado pelo significado da figura icônica do ator e não necessariamente pela atuação em si.

O Brasil não ganhou o Oscar de Melhor Animação com O menino e o mundo. Ter sido indicado, no entanto, foi uma verdadeira vitória, até porque a categoria envolve uma concorrência com superproduções de Hollywood (Minions, Snoopy, O bom dinossauro e Bob Esponja, por exemplo, não alcançaram um resultado tão bom). Vencer Divertida mente era improvável pois o longa-metragem da Pixar é um produto atípico, que ganhou uma consagração crítica acima do normal e chegou a ser indicado também na categoria de Melhor Roteiro Original, vencida por Spotlight.

A indicação da animação brasileira e as premiações de Spotlight, Ex Machina (Melhores Efeitos Visuais) e Mad Max, que são filmes fora dos padrões de Hollywood, demonstram que pode haver alguma mudança em curso na produção cinematográfica contemporânea. Eles mostram que há oportunidades para quem acreditar na própria criatividade.

VENCEDORES

Melhor filme: “Spotlight: Segredos Revelados”
Melhor diretor: Alejandro González Iñárritu (“O Regresso”)
Melhor atriz: Brie Larson (“O Quarto de Jack”)
Melhor atriz coadjuvante: Alicia Vikander (“A Garota Dinamarquesa”)
Melhor ator: Leonardo DiCaprio (“O Regresso”)
Melhor ator coadjuvante: Mark Rylance (“Ponte dos Espiões”)
Melhor roteiro original: “Spotlight”
Melhor roteiro adaptado: “A Grande Aposta”
Melhor figurino: “Mad Max: Estrada da Fúria”
Melhor direção de arte: “Mad Max: Estrada da Fúria”
Melhor maquiagem: “Mad Max: Estrada da Fúria”
Melhor fotografia: “O Regresso”
Melhor montagem: “Mad Max: Estrada da Fúria”
Melhor edição de som: “Mad Max: Estrada da Fúria”
Melhor mixagem de som: “Mad Max: Estrada da Fúria”
Melhores efeitos visuais: “Ex_Machina: Instinto Artificial”
Melhor curta-metragem de animação: “Bear Story”
Melhor animação: “Divertida Mente”
Melhor documentário em curta-metragem: “A Girl in the River: The Price of Forgiveness”
Melhor documentário: “Amy”
Melhor curta de documentário: “Stutterer”
Melhor filme estrangeiro: “O Filho de Saul” (Hungria)
Melhor trilha sonora: Ennio Morricone – “Os Oito Odiados”
Melhor canção: Sam Smith e James Napier – “Writing’s on the Wall” (“007 contra Spectre”)

Fonte: Diário de Pernambuco

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  1. Vibrei com a premiação do Leo. Eles mereceu. Era evidente que iria ganhar.Quem viu o filme sabe o que digo.

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