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Nova pesquisa mostra que crianças que tomam antibióticos com frequência, tendem a ganhar peso mais rápido do que aquelas que nunca os tomaram.

Para o estudo, os cientistas da Universidade Johns Hopkins analisaram quase 164.000 fichas médicas de crianças com idades entre 3 e 18 anos, que fizeram exames pediátricos entre os anos 2001 e 2012. Os pesquisadores descobriram que uma em cada cinco crianças recebeu prescrições de antibióticos pelo menos sete vezes. Quando essas crianças chegaram à idade de 15 anos, eles pesavam em média, quase um quilo e meio mais do que as crianças que não haviam tomado antibióticos.

Os resultados foram publicados no International Journal of Obesity.

Embora os resultados sejam chocantes, o Dr. Brian S. Schwartz, Professor de ciências da saúde ambiental, epidemiologia e medicina da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health e autor principal do estudo, diz ao Yahoo Health que os antibióticos foram acrescentados aos alimentos para animais ao longo de décadas, para promover o aumento de peso. E, aparentemente, o seu efeito é semelhante nos seres humanos.

Tomar mais antibióticos, apenas agrava o problema, diz Schwartz. “Quanto maior for a dosagem acumulada de antibióticos tomados, maior será o aumento do peso.”

Apesar da sua equipe não ter investigado as razões existentes para essa correlação, Schwartz diz que isso pode ocorrer devido às alterações produzidas nas microbiotas (os micro-organismos que vivem em nosso intestino, mais conhecidos como flora intestinal). Pesquisas anteriores revelaram que eles podem afetar todo o nosso organismo, desde o coração até a nossa mente.

“Outros estudos registraram que os antibióticos alteram o trato gastrointestinal da microbiota e que essas alterações podem ser permanentes, caso os antibióticos sejam administrados no momento errado ou de forma frequente,” diz ele. Como resultado, os nutrientes podem ser digeridos de maneira diferente no corpo de uma pessoa , quando ela passa a fazer uso de antibióticos, e assim o seu corpo pode absorver mais calorias.

Esse não é o primeiro estudo que estabelece uma ligação entre os antibióticos e o aumento de peso em humanos. Uma pesquisa publicada no início deste ano, na revista Nature revelou que os filhos cujas mães tomaram antibióticos durante a gravidez eram mais propensos a ter excesso de peso ou a serem obesos.

Embora a pesquisa de Schwartz haja interrompido o rastreamento das crianças quando elas completaram 18 anos, ele diz que não pode afirmar que o seu aumento de peso tenha parado quando que elas atingiram a idade adulta. “O meu palpite é que esse efeito continua até a vida adulta, e pode induzir a um rápido aumento de peso durante a vida adulta também,” diz ele.

Os resultados são preocupantes, diz Sanford Vieder, fundador do Lakes Urgent Care, do Estado de Michigan, nos Estados Unidos. “Há uma mensagem aqui que não deve ser ignorada: As crianças estão sendo receitadas com antibióticos de maneira excessiva, e isso é realmente preocupante,” diz ele ao Yahoo Health.

Vieder diz que os médicos são frequentemente pressionados pelos pais, a prescrever antibióticos, pois eles pensam que essas drogas são a única coisa que vai ajudar uma criança doente. “Quando existe o caso de uma provável infecção viral, você sabe que ela não vai ser curada por um antibiótico; mas você também sabe que um dos pais ou o próprio paciente poderiam dar uma má recomendação a seu respeito, pois você não está prescrevendo o que eles querem,” afirma ele. “Há um pouco de pressão exercida sobre o simples gesto de escrever a prescrição de antibióticos.”

O uso excessivo dos antibióticos não só pode causar aumento de peso, como revelou o estudo, ele também pode criar resistência aos antibióticos. A resistência aos antibióticos ocorre quando um antibiótico perdeu sua capacidade de controlar ou matar as bactérias, e isso muitas vezes é causado pelo excesso ou abuso de drogas. Os Centros para a Prevenção e Controle das Doenças qualificam o fenômeno como “um problema crescente” nos Estados Unidos e em todo o mundo.

Quando um paciente tem resistência aos antibióticos, seu quadro clínico tende a agravar-se. “Quando as pessoas realmente precisam desses antibióticos para combater uma infecção específica, ele já pode ter perdido totalmente sua eficácia,” explica Vieder. “É muito assustador.”

O uso excessivo de antibióticos também tem sido acusado de ser o responsável direto por um número crescente de bactérias resistentes aos antibióticos. Uma nova pesquisa publicada na revista Controle de Infecção e Epidemiologia Hospitalar revelou que a resistência às drogas que combatem as infecções causadas pela bactéria E. coli está aumentando cada vez mais. Uma pesquisa verificou também que a SARM, uma misteriosa infecção provocada pelo estafilococo dourado, é resistente a muitas formas de antibióticos, e atualmente mata mais pessoas a cada ano do que o vírus do HIV.

Vieder e Schwartz exortam pais e pacientes a dar atenção seu médico, quando se trata do uso de antibióticos. “Se o seu médico achar que você não precisa tomar um antibiótico, é recomendável que você aceite o seu conselho,” diz Vieder. “Eles não vão dar-lhe indicações que prejudiquem sua saúde.”

Você toma um medicamento para uma doença e desencadeia outra e sim você sempre buscará  medicamentos, afinal doença é uma comércio e nenhuma empresa está interessada em promover a cura definitiva, haja vista a polêmica sobre  fosfoetanolamina que pode curar alguns tipos de câncer.

Fonte: Yahoo