Olá,

Por: Álvaro Leme – R7

Posso arriscar que nem a comunicação entre os índios nativos e os portugueses que chegaram com Cabral foi tão ruim quanto o que testemunhei na manhã desta quinta-feira (23), no encontro da imprensa com Joseph Jackson, o pai de Michael Jackson.

De um lado, colegas jornalistas que tentaram (sem sucesso) arranhar no inglês. Do outro, os que optaram por fazer perguntas em português mesmo — ninguém é obrigado a falar outro idioma, afinal de contas —, mas que ficaram a ver navios porque a tradução simultânea era improvisada. Ou melhor, não havia propriamente uma pessoa designada para a função, então sobrou a um executivo da agência que trouxe o patriarca Jackson dizer-lhe ao pé do ouvido o que as pessoas estavam perguntando.

Acontece que, quando ele falava com a gente, não havia tradução da resposta. E ficava aquele silêncio constrangedor, que aumentou exponencialmente devido às sucessivas falhas no microfone do Mr. Jackson. Ele chegou a falar, meio brincando, meio sério, que se houvesse outro apagão sonoro deixaria o local. Até houve, mas ele ficou lá pacientemente aguardando que lhe dessem “voz” novamente.

A sala do hotel onde rolou o encontro tinha 252 cadeiras (sim, eu contei), mas compareceram cerca de 40 pessoas, dos quais apenas metade era jornalista. Havia alguns fãs e curiosos infiltrados, sabe? “Uma assessoria rival inventou um boato de que a coletiva havia sido cancelada”, me contou Lisa Crazy, a assessora escalada para a vinda de Jackson. O público a conhece como a repórter drag do programa TV Fama. “Tínhamos encomendado um super coffee break pra vocês, mas a fofoca maldosa fez o hotel querer cancelar, então só teremos água e café”.

As perguntas eram uma pior que a outra. Aquele moço gordinho bonitinho do CQC até que fez algumas engraçadas, em português mesmo, mas que se perderam na tradução e deixaram Joe Jackson — e o repórter — com cara de tacho olhando para nós. Uma pena.

Quando alguém conseguia concatenar as ideias, Jackson respondia de modo vago. Teve uma hora que ele chegou a falar que o tempo aqui é muito bom. Nada de mais, mas quando chega ao ponto de numa coletiva ser preciso falar de meteorologia, é sinal de que a coisa desandou.

Um rapaz de um site de música tentou saber algo ligado ao grupo e terminou sem muito retorno do entrevistado. Chegou minha vez de encarar a fera e eu quis saber o que o levou a comemorar o aniversário no Brasil (ele vai fazer festa para 200 convidados no domingo, aqui em São Paulo). “A oferta foi muito boa para recusar”, disse ele. Consegui perguntar mais duas coisas.

R7 — O senhor tem amigos brasileiros famosos?
Joseph Jackson — Tenho, mas não me peça pra dizer o nome, pois não sei.

R7 — Quando pensa no Michael, o que vem à sua mente?
Joseph Jackson — Penso nele todo dia e, a todo canto que vou, sempre começa uma música dele. Vamos levantar dinheiro para construir um hospital, que era o que ele pretendia fazer com a renda da turnê dele que não chegou a acontecer.

Passei o microfone para uma senhora loira de cabelo curtinho, que se identificou como representante de um site de Santa Catarina, e emendou, em inglês e gestos: “O senhor já esteve em Santa Catarina?”. Ele respondeu que as brasileiras são lindas, ela se sentou quietinha e, depois da entrevista, foi tirar foto no backdrop — aquelas telas onde aparecem as marcas de patrocinadores que os famosos posam na frente — toda feliz.

A essa altura, Jackson estava impaciente, respondendo de modo ainda mais breve e declarou por encerrada a entrevista. Haviam se passado quarenta minutos de tradução truncada, afinal de contas.

Só que havia um sujeito com um microfone na mão, querendo sua atenção. O que ele fez? Começou a IMITAR Michael Jackson. É, irmãos, a imitar. O Michael Jackson. Para o PAI do Michael. Que parou e ficou olhando com uma cara de “is this real life?” assim como todos nós.

Terminada a performance do rapaz — eu soube depois que é um fã do MJ que queria muito demonstrar seu talento —, Jackson se aproximou do microfone e disse: “Você não é o Michael. Nem o Stevie Wonder. Até que dá pro gasto”. Vi uma menina de outro veículo traduzindo isso pro corajoso imitador, mas ela foi fofa e disse palavras mais otimistas, dai ele saiu sorridente e repetiu a apresentação para programas de TV no saguão.

Joe está no Brasil para divulgar uma turnê de seus filhos, prevista para outubro, além de um braço da Fundação Jackson no País e uma exposição sobre sua família.

Chorei de tanto rir… Que coisa frustante e hilária! kkkk

Lyllyan

Fonte: R7