Olá,

“Não sabia que o que fiz era crime. Achei que a polícia americana iria falar comigo e que tudo seria resolvido sem maiores problemas. Se soubesse, nunca teria enviado os e-mails”.

Francisco Fernando Cruz, 23, ao chegar a Sorocaba (SP), dos EUA, ao lado da mãe

Assim o estudante de publicidade Francisco Fernando Cruz, 23, preso depois de enviar uma mensagem à polícia dos Estados Unidos em que informava que o avião que iria embarcar de volta ao Brasil, em janeiro de 2014, seria derrubado por bombas. A ação fez com que ele fosse preso e permanecesse 13 meses e dez dias em solo norte-americano.

Francisco chegou nesta quinta-feira (19) ao Brasil depois de cumprir a pena a que foi condenado e esperar mais um mês e dez dias pela extradição. Ele desembarcou no Rio de Janeiro, onde reencontrou a família. Juntos, pegaram um voo para Campinas e foram de ônibus a Sorocaba (a 99 km da capital), onde chegaram no início da noite.

“Foi um momento de muita emoção. Nesse tempo que fiquei preso, percebi o verdadeiro valor da família e reencontrá-la foi muito bom”, disse.

Como principal aprendizado que a situação lhe causou, ele destaca o amadurecimento. “Isso tudo começou com uma aposta com amigos. Uma coisa boba. Aprendi que tenho que levar as coisas um pouco mais a sério, já que uma coisa que eu acho pequena pode ter um resultado que afeta muitas pessoas. Para tudo existe uma consequência. Apesar de terem sido momentos ruins, houve muito aprendizado”, diz.

Caçada

Francisco conta que ficou surpreso com a rapidez das autoridades norte-americanas. Ele embarcaria para o Brasil em 9 de janeiro e um dia antes usou um computador da Montclair State University, no Estado de Nova Jersey (a cerca de 2.000 km de Miami), para enviar e-mails informando a polícia de Miami e a TAM sobre a suposta bomba. Ele foi preso no aeroporto de Miami, no dia seguinte.

“Achei que eles iam responder o e-mail e que pudesse esclarecer a coisa toda. Queria chamar a atenção deles, mas não imaginava que seria preso”, disse.

O brasileiro descreve a abordagem realizada pelos norte-americanos como “coisa de cinema”. “Estava dentro do avião e anunciaram para ninguém se levantar porque tinha algo errado. Em segundos, mais de dez agentes do FBI (Polícia Federal dos EUA), CIA (a agência de inteligência dos EUA) e da polícia estavam no avião. Imaginei que tivesse alguém super procurado no avião, um terrorista, mas esse cara na verdade era eu”, conta.

Questionado pela reportagem se não chegou a imaginar que, após os atentados de 11 de setembro de 2001, a segurança sobre ameaças de bombas em aeroporto seria reforçada, ele confessa que avaliou mal a situação. “Olhando friamente, parece uma coisa óbvia. E talvez seja. Mas não pensei que fossem levar tão a sério. Deveria ter pensado, ainda mais porque esse tema é uma verdadeira paranoia para os americanos”, conta.

Prioridades

Francisco conta que a primeira coisa que fez ao pisar em solo brasileiro foi tomar um sorvete de morango. “Tomei no aeroporto do Rio mesmo, e estava uma delícia. Fazia muito tempo que não tomava sorvete. Pode parecer bobo, mas faz uma grande diferença. Aproveitei um monte de pequenas coisas desde que voltei”, conta.

A prioridade agora, segundo o estudante, é reencontrar amigos e parentes e matar a saudade. “Cheguei e ficamos na casa da minha família, foi um reencontro muito bom. Inclusive revi pessoas com as quais não pude ter contato durante esse tempo todo”, conta.

Ele pretende continuar estudando e quer abrir uma agência de publicidade. “Quero estudar e, depois, começar um negócio próprio, uma agência de publicidade. Por um lado, embora tudo o que aconteceu comigo nos Estados Unidos tenha sido ruim, acho que, no final, o tempo vai cuidar disso e que essa situação ficará para trás. Nem vai me ajudar, nem me prejudicar”, disse.

Ficar 13 meses e 10 dias por cometer uma idiotice é realmente o oh!

Fonte: UOL