Olá,

Fazer as unhas tem algo a ver com o sucesso na carreira? A colunista do ‘Financial Times’, Lucy Kellaway, que tem suas colunas publicadas aqui no Brasil pelo jornal Valor’, aparentemente levou um susto ao descobrir que sim.

O tema em pauta era o convite da consultoria McKinsey, uma das maiores do mundo, para estudantes mulheres do MBA da Universidade de Stanford, na Califórnia, para um evento na hora do almoço em Palo Alto: um tipo de  “networking de salão”  em que as jovens se reuniriam para fazer as mãos e os pés, antes de assistirem a uma  apresentação sobre a empresa.

O objetivo era claramente agradar e atrair a simpatia das jovens graduandas com uma ação de marketing que Kellaway considerou tola e discriminatória. Comparou a atitude ao equívoco cometido em outro evento para talentos femininos, promovido há alguns meses pelo banco Goldman Sachs, em que as participantes receberam como brinde um kit de manicure, com lixa e espelhinhos.

Acho que a questão é mais polêmica do que meramente discriminatória. O que na primeira camada soa preconceituoso, poderia ser visto (e a própria colunista concorda) como a versão feminina dos encontros esportivos regados a cerveja promovidos para homens. No entanto, fazer os pés e as mãos, diferentemente de assistir a jogos de futebol ou basquete, não é considerado exatamente uma atividade lúdica e embutiria a mensagem de que meninas tem que estar com as unhas feitas e pintadas para ficarem bem no mundo dos negócios. Uma espécie de nail code só aplicado, naturalmente, a profissionais do sexo feminino. Visto por esse ângulo, estaríamos diante de uma grande injustiça  de gênero que permite que os meninos sejam bons executivos mesmo sem ter as cutículas aparadas enquanto nós seremos eternamente reféns das lixas e alicates.

Bom, não é simples assim. Fazer as unhas e, melhor que isso, fazer as unhas ao lado de amigas e colegas de trabalho, é considerado  por muitas um ritual prazeroso de beleza. E, por ser majoritariamente feminino, uma rara oportunidade para trocas de ideias em um lugar onde (ainda) somos a maioria. Uma das amigas da colunista americana contou a ela que usa os momentos de manicure e pedicure para ter conversas regulares com sua mentora no trabalho.

Tem gente que odeia a prática e não pode ser culpada por isso. Eu mesma, desde que troquei o mundão executivo pelo home office acho libertador não ter que fazer as unhas todas as semanas. Mas continuo achando o máximo mãos e pés esmaltados. Enfim, não dá pra concluir assim tão fácil se o caso é de vaidade ou imposição social. Prefiro achar que a consultoria Mckinsey fez a lição de casa e descobriu que as garotas realmente apreciam esse momento luluzinha.  Mais que isso, que promover atividades “girlies” como essa pode ajudar a liberá-las para expressar sem medo o seu lado feminino e libertá-las dos estereótipos masculinos de poder e liderança. Mas também entendo que você pode, como a colunista do Financial Times,  achar isso tudo uma  grande bobagem e chegar onde quiser na sua carreira com as suas unhas sem esmalte e aparadas em casa.

Como amo cuidar das minhas unhas, não vejo qualquer problema em mantê-las sempre lindas para qualquer ocasião!

Fonte: Yahoo