Olá,

O burburinho da semana foi causado pela reportagem do encarte regional da revista VEja (Veja Rio), sobre a chegada da rede americana Forever 21 ao shopping Village Mall, considerado o mais chique e elitizado da cidade. A polêmica se concentra nas declarações de várias clientes que acreditam que a chegada da Forever 21 afastará as consumidoras das lojas de luxo, pois agora o shopping virou “popular, menos exclusivo, atraindo a atenção de ‘todo tipo de gente'”. Clique aqui para assistir ao vídeo.

Durante entrevista, uma das frequentadoras do shopping reclama da chegada da loja Forever 21 ao Village Mall. “Ele (shopping) era muito diferente sem essa loja. Eu gostaria de ter entendido por que da necessidade dessa loja aqui dentro. Eles se propuseram a fazer um shopping só de grifes, um shopping elitizado (…). Teve um sábado que eu vim com minhas duas comadres, não sabia que estava abrindo a Forever. Foi uma loucura, eram os corredores com comida do McDonalds no chão… McDonalds faturou para o mês todo, aquele dia (…). Gostaria de saber até onde eles vão e até onde eles querem ir.”, reclamou Maria Emilia Cerutti à Veja Rio.

O desconforto entre as antigas clientes trouxe à tona a mentalidade colonialista que ainda sobrevive no Brasil e me fez lembrar de uma personagem muito controvertida da nossa história, que ficou famosa pelo seu horror aos pobres habitantes do Rio de Janeiro do início do século XIX: Carlota Joaquina. Carlota, mãe de D. Pedro I, renegava o Brasil e chamava o país de “terra de negros e carrapatos”. Se estava mal-humorada, mandava chicotear os pedestres que não se ajoelhavam quando ela passava com seu cortejo.

As súditas de Carlota estão por aí, em toda parte, achando que a presença do povo é um inconveniente. E não poderiam estar mais erradas. Claro que ninguém gosta de um shopping lotado, principalmente na véspera de Natal ou Dia das Mães. Não é confortável ficar esperando em filas e disputando as vagas de estacionamento com motoristas estressados. Porém, não é isso que se vê no Village Mall, já que o movimento de clientes aumentou somente em 15%.

Nas cidades mais famosas do mundo, seus templos de consumo de luxo estão lotadas de pessoas de todas as partes do mundo, sem discriminação. Uma loja como a londrina Harrods, ou as Galerias Laffayette, ou as lojas de ruas das grifes francesas, recebem não só os milionários, mas também centenas de turistas que fazem questão de conhecer esses locais.

Andar ao lado de pessoas com menos poder aquisitivo e vestidas com roupas mais simples não deveria aborrecer ninguém e muito menos desestimular a ida ao shopping. Pelo contrário: ambientes com mais pessoas são mais alegres e vibrantes, comprovadamente. Está mais do que na hora das súditas de Carlota Joaquina caírem na real e entenderem que, tanto na moda quanto na vida, são as misturas que dão a graça.

Engraçado que esta  classe elitizada quando viajam ao exterior, as primeiras lojas que eles frequentam lá fora são as lojas de rede de ofertas e ai acham muito chique e aqui no Brasil é de “povão”… Ridículos!

Engraçado que a morte levam todos para o mesmo buraco ou crematório…

Fonte: Yahoo