Olá,

Uma campanha publicitária da ONG Rio Eu Amo Eu Cuido vem irritando os cariocas nos últimos dias. Tudo porque os cartazes chamam a bituca (ou guimba do cigarro) de bunda. “Bunda caída: eu acho caído”, diz um cartaz. “Bunda de cigarro é lixo”, diz outra. A coordenadora do movimento, Ana Lycia Gayoso, disse ao Terra que a intenção da campanha é mudar o comportamento de cerca de 6,5 milhões de pessoas que, segundo ela, às vezes não jogam lixo no chão, mas não consideram o fim do cigarro como lixo.

Em um dos cartazes da campanha, a garota-propaganda é a modelo Andressa Soares, a Mulher Melancia Foto: Reprodução

“Quando nos propusemos a fazer uma campanha contra a guimba, bituca, bunda, ponta do cigarro queríamos chamar atenção para algo que passa despercebido como lixo pela maior parcela da população. E decidimos usar o termo ‘bunda’ justamente para gerar um auê e chamar a atenção e criar um jargão novo”, afirmou.

Mas a boa intenção causou mais revolta do que conscientização. Na página da ONG no Facebook os comentários, principalmente de mulheres, contra a campanha são maioria. Várias acusam a ONG de sexista. Em um dos cartazes da campanha, a garota-propaganda é a modelo Andressa Soares, a Mulher Melancia. E foi aí, segundo Ana Lycia, que a coisa saiu do controle. “Tanto homem quanto mulher têm bunda. Não estamos falando disso, mas da bituca do cigarro que suja a cidade, suja a areia da praia,” disse.

Campanha de ONG chama bituca de cigarro de "bunda" Foto: Reprodução

A ONG Marcha Mundial das Mulheres fez um protesto em seu blog contra a campanha. “Nós, mulheres e feministas da Marcha Mundial das Mulheres queremos expressar nosso total repúdio à campanha publicitária promovida pela organização Rio eu amo eu Cuido. Não somos a favor da poluição do espaço público. Somos absolutamente contra a utilização da imagem do corpo das mulheres de forma humilhante e depreciativa para se atingir a qualquer objetivo”, diz o comunicado.

A ONG Rio Eu Amo Eu Cuido se defende dizendo que não teve intenção nenhuma de criar polêmica e nem de ser sexista. “Duas coordenadoras da entidade são mulheres. Não queremos causar problemas com nenhum movimento”, afirmou Ana Lycia, dizendo que eles vão esperar a poeira baixar para retomar a campanha, e não descartou nem mesmo deixar de usar o termo bunda. “Ficamos abismadas com a repercussão negativa da campanha que só tem a intenção de fazer do Rio uma cidade melhor”, afirma.

Após polêmica, ONG mudou o tom da campanha Foto: Reprodução

Entre os internautas, a revolta contra a campanha chama a atenção. “Quem foi o lixo de publicitário que aprovou esse lixo de campanha”, disse um internauta. Entre pedidos para que se retire a campanha do ar e a chamam de lixo, várias mulheres protestam contra o tom machista do material publicitário. “Vocês estão matando os cariocas de vergonha,” afirma outra. Uma internauta faz até um trocadilho. “O machismo é que abunda”, escreveu. Alguns já afirmam ter entrado com uma reclamação no Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária (Conar) para tentar tirar a campanha de circulação. “Estamos esperando ser notificados pelo Conar,” confirmou.

Isto só acontece por culpa de algumas mulheres que vulgarizaram tanto, mas tanto a imagem da mulher que hoje é vista como um objeto… 

O RJ é um dos primeiros a cantar funk proibidão que tem até surra de bunda… E que polemizar? Ah para!

Fonte: Terra