Olá,

Fazer pequenos cortes nos braços, nas pernas e na barriga é a maneira encontrada por muitos jovens para, por meio da dor física, aliviar a dor emocional. Em inglês, o problema é chamado de “cutting”.

No início de junho, Paris Jackson, filha de Michael Jackson (1958-2009), foi levada para um hospital na Califórnia depois de tentar se matar cortando os pulsos. A garota de 15 anos agora está em tratamento contra uma profunda depressão. Antes do gesto radical, ela já dava sinais de que enfrentava sérios problemas emocionais e que estava vulnerável ao “cutting”. Em seu perfil na rede social Tumblr, Paris colecionava fotos de pessoas se ferindo com tesouras, entre outras imagens fortes.

Para muitos jovens, as novas responsabilidades trazidas pela adolescência podem ser um peso difícil de suportar. “Passar no vestibular, ser aceito em seu grupo social, escolher uma profissão, votar… São tantas pressões que, dificilmente, um jovem não entra em crise existencial durante essa fase da vida”, afirma a psicóloga Rita Calegari, especialista em psicologia da saúde pela PUC de São Paulo.

A presença de outros transtornos –como ansiedade, depressão e bulimia–  e um ambiente doméstico em que o adolescente se sente excessivamente cobrado, punido ou no qual recebe pouca atenção, por parte dos pais, também aumentam a vulnerabilidade ao “cutting”. “Nessas situações, o adolescente fere o próprio corpo repetidamente com o desejo de aliviar as dores emocionais que não consegue expressar, como a intensa ansiedade, a angústia ou o medo”, diz Rita.

Além da dificuldade de falar sobre o que sentem, os adolescentes que ferem a si mesmos –usando lápis, canetas, bijuterias com pontas, pregos, canivetes e arames–, geralmente, percebem-se impotentes, isolados ou excluídos e têm baixa autoestima.

Eu não tive tempo de ter crise existencial na adolescência porque comecei a trabalhar aos 14 anos, pois queria ser alguém, pagar meus estudos, me formar, alcançar meus sonhos e minha vida seguiu… Enquanto várias amigas e amigos ainda “brincavam” eu esta trabalhando durante o dia e estudando à noite, então não tinha espaço para ficar criando os “porques” da vida.

Aprendi muito cedo a dar valor a cada coisa conquistada, comprada ou ganhada… Enfim, acredito que as crianças que nascem em famílias menos favorecidas são mais maduras do que aquelas que sempre tiveram tudo…

Lyllyan

Fonte: Tribuna Hoje