Olá,

Uma iminente mudança na internet preocupa desde o FBI até a União Europeia e, no Brasil, reúne na mesma mesa de discussão empresas de telecomunicações, governo, bancos, fabricantes de eletrônicos, Polícia Federal, agências reguladoras e órgãos gestores da rede.

A transição inevitável dificultará a identificação de usuários na rede (criminosos, por exemplo), a aferição de audiência de sites, a execução de programas da web (como o Skype) e limitará o acesso de usuários a muitos conteúdos simultâneos.

Com a explosão de aparelhos conectados à web, está se esgotando em todo o mundo os números atuais de IP (protocolo de internet).

Um novo padrão de IP, o chamado IPv6, espécie de “nono dígito da internet” está sendo implantado para não impedir a web de crescer e estrangular os seus acessos.

As vulnerabilidades na rede surgirão devido à transição entre uma versão e outra.

Números de endereço únicos, os IPs são cedidos pelos provedores assim que um aparelho se conecta à web. Funcionam para “levar” a informação de que o internauta quer acessar determinado site e guiar os dados de volta.

Se o equipamento conectado do usuário rodar uma versão do protocolo e os sites que ele quiser acessar, outra, não há comunicação.

No Brasil, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) estima que a extinção dos IPs antigos vá acontecer entre o fim do ano que vem e o meio de 2014.

Para alinhavar um plano, o NIC.br reúne entidades que regulam a internet, empresas que dependem dela e órgãos que a vistoriam. “Tentamos construir um consenso sobre como a coisa tem que ser feita para evitar atritos no futuro”, diz Antonio Moreiras, gerente de planejamento de projetos do NIC.br.

Antes de a escassez ocorrer, uma coisa é certa: os provedores de acesso terão que implantar equipamento para que as informações de uma versão do protocolo consigam “conversar” com as de outra.

Isso acontecerá pois, apesar de sites de conteúdo já terem iniciado a migração em 2011, a adaptação ao novo modelo é mais demorada.

Todas as aplicações criadas para rodar no antigo protocolo têm de ser formatadas para o IPv6.

É aí que mora o problema: a solução encontrada é a instalação de um equipamento que dê um IP antigo para ser compartilhado por usuários novos. “Definindo não formalmente, trata-se de uma ‘gambiarra'”, diz Moreiras.

Um usuário que tenha cometido algum cibercrime não poderá ser identificado a partir do IP, explica Alexandre Sobral, delegado da divisão de cibercrimes da PF.

“Quando consultarmos o provedor, ele vai dizer que o IP é compartilhado por várias pessoas e não vamos conseguir identificar o real usuário”, afirma Sobral

“Hoje já é difícil rastrear pelo IP”, diz César Flausino, da comissão de prevenção de fraudes da Febraban (associação dos bancos).

O remendo para isso será os provedores de acesso guardarem as informações do que cada usuário acessa na rede.

Além disso, a capacidade de uso do IP será dividida pelo número de usuários que o compartilharem, o que limitará os conteúdos que poderão ser acessados.

Se mil usuários, por exemplo, usarem o mesmo IP, um deles não poderá abrir três janelas que exibam simultaneamente o Google Maps.

Os criminosos vão adorar isto!

Fonte: Folha