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Quase 14 milhões de americanos submeteram-se a procedimentos estéticos no ano passado, segundo a Sociedade Americana de Cirurgia Plástica – e as injeções de botox aumentaram 5% em relação ao ano anterior.

Grande parte dos pacientes, entre 30 e 40 anos, têm filhos, o que suscita a seguinte questão: como o Botox afeta o relacionamento entre pais e filhos?

Segundo uma reportagem recente da CNN, filhos confusos podem ser uma consequência inesperada da prática.

“O Botox pode limitar e distorcer a comunicação entre pais e filhos, fazendo com que os pais pareçam emocionalmente ‘apáticos’”, argumenta Ed Tronick, professor de pediatria e psiquiatria da Universidade de Massachusetts. “As expressões faciais são fundamentais para que os pais comuniquem a crianças pequenas suas intenções e expressões de raiva ou tristeza, o que envolve um conjunto muito complexo de músculos. Quando essas expressões são limitadas, a quantidade de informações transmitidas diminui, sobretudo para as crianças pequenas, que dependem da interpretação das expressões faciais dos pais”.

“Faço exercícios todos os dias, não como demais, tento beber água, mas prefiro vinho – e quando nada mais dá certo, sempre que posso injeto Botox bem no meio da testa”, admitiu Kelly Ripa, uma apresentadora de TV de 41 anos e mãe de três filhos, em artigo da revista Touch citado pelo Daily Mail.

No entanto, as injeções de Botox – que usam neurotoxinas bacterianas para disfarçar rugas ao bloquear a atividade muscular do rosto – podem afetar a capacidade de lermos as emoções, reduzindo a empatia, descobriu um estudo publicado no ano passado na revista Social, Psychological and Personal Science.

Muitos usuários de Botox e seus médicos discordam dessas preocupações, afirmando que um procedimento bem-feito deve parecer sutil e preservar a expressividade emocional, segundo Shanon Cook, repórter da CNN. Outros argumentam que o visual mais relaxado os ajudou nos relacionamentos.

Mas que mensagem as crianças recebem quando veem seus pais tentando combater os sinais da idade e mudar sua aparência? Essa é uma questão explorada à exaustão em blogs, fóruns e até em sites de cirurgiões plásticos.

A Clínica de Cirurgia Plástica McCormack, em Reno, Nevada, oferece o seguinte conselho às mães:

“Não diga a seus filhos que fará uma cirurgia porque se sente mal, mas porque isso a fará se sentir melhor consigo mesma. Dito isso, não hesite em enfatizar a beleza interior. A beleza interior e a confiança são as coisas mais atraentes em uma pessoa, e você está fazendo isso apenas para destacar esses atributos. Você pode aproveitar a oportunidade para enfatizar que seus filhos são perfeitos como são, e fazer essa escolha não significa que há algo de errado com eles. Além disso, não é culpa deles se seu corpo mudou, já que você é quem escolheu ter filhos (e está muito feliz por isso!).”

Por influência dos pais ou não, mais adolescentes recorrem a cirurgias plásticas, muitas vezes, para evitar o bullying. Em 2011, mais de 16 mil adolescentes com idades entre 13 e 19 anos receberam injeções de Botox, segundo a Sociedade Americana de Cirurgia Plástica, um aumento de 20% em relação ao ano anterior.

No entanto, não foi comprovado que esses procedimentos afetam o relacionamento dos adolescentes com seus pais.

As pessoas exageram na quantidade quando o assunto é permanecer jovem.

Fonte: Discovery