Olá,

Quantas vezes você já ouviu algum de seus colegas de trabalho dizer – ou você mesmo disse – que, por ter muito o que fazer, não iria sair para almoçar e pediria um delivery – ou comeria um lanchinho qualquer da máquina de guloseimas?

Fazer da mesa de trabalho um local de refeição é uma prática comum em nosso atribulado cotidiano. Mas, se com tal atropelo, eventualmente se ganha um tempo extra para concluir aquele relatório ou checar os e-mails que vinham se acumulando, é fato que esse hábito não vai angariar benefício algum para a saúde – muito pelo contrário.

Um dos aspectos que potencializam o prejuízo alimentar causado por esse tipo de “almoço executivo” diz respeito ao duvidoso teor nutritivo de boa parte do que o motoboy entrega nas embalagens para viagem.

A pizza, por exemplo, é um prato cheio – de gorduras saturadas e de farinha branca. Esses componentes “enchem”, mas alimentam pouco.

O trio hambúrguer, fritas e refrigerante, por sua vez, é um combo das chamadas calorias vazias. Trata-se de um termo que categoriza comidas e bebidas que fornecem uma “energia momentânea”, mas carecem de valor nutricional, explica a nutricionista Julia Vasconcellos, sócia da Nutrição Corporativa, empresa que atua em projetos de alimentação balanceada no ambiente de trabalho.

De qualquer forma, mesmo com essas opções de cardápio é possível fazer uma refeição mais saudável. Em relação à pizza, há recheios com ricota, mozarela de búfala, abobrinha e berinjela, menciona Vasconcellos. “Quem tem colesterol alto deve evitar a de calabresa”, alerta.

Se for pedir um lanche daqueles “pelo número”, prefira um sanduíche de frango grelhado, substitua as batatas por uma salada e troque o refrigerante por um suco light. E esqueça o sundae de sobremesa.

Alternativas reconhecidamente mais benéficas, como a culinária japonesa, também não dispensam precauções na escolha dos itens do menu. “É preciso tomar cuidado com as frituras”, especifica a nutricionista. “E não se recomenda abusar do shoyu [molho de soja], que tem muito sódio.”

Comer em frente à TV

Existe outro inconveniente em “botar a mesa” entre o telefone e o mouse. Almoçar em frente ao computador é comparável a fazê-lo assistindo à televisão, adverte Vasconcellos.

O local não propicia um estado de relaxamento favorável para uma mastigação adequada e não contribui para a sensação de saciedade que advém de prestar atenção ao que se ingere. Dessa maneira, “há a tendência de comer porções maiores”.

Além disso, perde-se a chance de realizar aquela salutar caminhada entre o quilo e o escritório.

Inanição

Simplesmente “pular” o almoço com a justificativa de que compensará essa abstinência no jantar ou que já tomou um café da manhã reforçado também não é um bom negócio.

“Isso poderá causar uma compulsão alimentar à noite”, diz Vasconcellos. E vai fazer com que o corpo, para se adaptar à falta da refeição, produza hormônios e consuma reservas, desequilibrando seus níveis de vitaminas e nutrientes.

O almoço, lembra, em geral é nossa maior fonte de ferro. Assim, caso resolva negligenciá-lo sistematicamente, não se espante se alguém disser que seu desempenho no trabalho anda um tanto anêmico.

Tem dia que não tem jeito, almoço na mesa.

Fonte: UOL