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No dia 25 de junho de 2009, o mundo de Leonardo Lapagesse parou. Michael Jackson não iria mais cantar, dançar ou se comunicar com ele. O maior ídolo pop da História estava morto. E seu maior fã brasileiro, em estado de choque.


Paixão de Leonardo Lapagesse guia peça de Marcelo Pedreira
Foto: Leonardo Aversa

Leonardo Lapagesse & Marcelo Pedreira

 Lapagesse passou 48 horas concedendo entrevistas e revelando aos jornalistas o seu monumental acervo. Até dar um basta. Largou jornalistas e emprego e voou para Los Angeles, onde conseguiu uma pulseira que lhe deu acesso ao velório do ídolo. Na volta, ainda carregava a tal pulseira, que permaneceu intocada por semanas. A saga emocionou Marcelo Pedreira, que se inspirou na relação entre o fã e o ícone pop para escrever “Michael e eu”, que estreia nesta sexta-feira no Teatro do Leblon, com direção de Ivan Sugahara.

— Larguei o emprego, perdi dez quilos, deixei de ser vegetariano e decidi recomeçar a minha vida — diz Lapagesse.

Hoje, ele é o diretor musical da peça que tem a sua própria vida como base:

— Eu choro todos os dias — diz. — Apesar de saber que o Marcelo criou uma ficção, me reconheço em muitas cenas.

Não à toa, a peça, cujo protagonista se chama Leo, apresenta a história de um fã que, após retornar do velório de Michael Jackson, se vê impossibilitado de se livrar de uma pulseira e de retornar à rotina.

— Na peça, a pulseira representa o aprisionamento, expressa simbolicamente o luto desse fã em meio à tristeza de perder seu ídolo — diz o autor.

É do fundo dessa depressão que Leo (Pedro Henrique Monteiro) procura ajuda médica. Encontra pela frente Doc (Bruno Garcia), uma espécie de Dr. House pop e excêntrico, que o desafia a provar o porquê de seu fascínio. A partir daí, o divã sai de cena, e a peça vira show. Atores — e também dois sósias de MJ — dançam ao som de “Thriller” e respondem a imagens projetadas que remontam a trajetória de MJ.

— Faço um paralelo entre os astros pop e os deuses do Olimpo, que, apesar de seus dons fora do comum, tinham limitações humanas, eram falhos. Revelamos esse lado humano do Michael. A tristeza de não ter tido infância, e a sua sensibilidade, que marca o talento como a vulnerabilidade.

Observando a cultura pop tomar o espaço do sagrado, a peça, no entanto, não condena a idolatria, e nem prejulga a obsessão do protagonista.

— O que ele tem é uma relação profunda, estável. Não é um rompante juvenil. Cada um escolhe o seu deus, de acordo com suas tendências. O meu é o John Lennon, o do Leo é o Michael — diz o autor.

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Lyllyan

Fonte: O Globo