Olá,

Um texto crítico e sarcástico publicado no último sábado (11) pela edição online da revista americana Forbes, especializada em finanças, constatou o que muitos brasileiros já sabem: o carro vendido aqui é “ridiculamente” caro.

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Em artigo, o colunista Kenneth Rapoza, que faz cobertura dos países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), usa como exemplo o Jeep Grand Cherokee, que, no Brasil, custa R$ 179 mil, ou US$ 89 mil.

Segundo Rapoza, por esse preço, o carro da Jeep — marca do grupo Chrysler, que, por sua vez, pertence à Fiat — deveria vir “equipado com asas e ter rodas cobertas por ouro”.

O espanto de Rapoza faz sentido diante do valor que um americano médio paga pelo mesmíssimo carro. Por lá, o Jeep Grand Cherokee padrão custa cerca de R$ 56 mil (US$ 28 mil).

O colunista da Forbes vai mais longe e diz que, nos Estados Unidos, o valor do tal Grand Cherokee equivale à metade da renda anual média de um americano. No Brasil, por sua vez, o preço do carro estaria “a anos luz de distância” dos ganhos dos nossos cidadãos. 

Questão de status?

Rapoza também critica os consumidores que, supostamente, compram esse tipo de carro em busca de status.

“Lamento, “brazukas”, mas não há status em Toyota Corolla, Honda Civic, Jeep Grand Cherokee ou Dodge Durango. Não sejam enganados pela etiqueta de preço. Definitivamente, estão passando a perna em vocês.”

A menção ao Dodge Durango não é por acaso. O carro, que será apresentado oficialmente apenas no Salão do Automóvel de São Paulo (24 de outubro a 4 de novembro), custará, segundo a Forbes, R$ 190 mil (US$ 95 mil).

“Nos Estados Unidos, o mesmo carro custa R$ 57 mil (US$ 28,5 mil). Um professor de escola pública primária no Bronx [bairro pobre de Nova York] pode comprar um. Talvez não novinho, mas com um ou dois anos de uso, sem dúvida.”

Embora Rapoza culpe quase que exclusivamente os altos impostos pelos preços “ridículos” dos automóveis no Brasil, o R7 Carros já mostrou que, na realidade, as razões são mais profundas.

As margens de lucro mais altas do mundo e um consumidor pouco educado financeiramente contribuem para que, por aqui, Toyota Corolla e Jeep Grand Cherokee virem símbolos de status, simplesmente por serem muito caros.

Nossos carros são os mais caros e incompletos, os deles são mais baratos e completos.

Fonte: R7