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Especialista fala ao Tempo de Mulher sobre a diferença entre os dois, e os riscos para quem abusa de medicamentos. Dependentes de remédios estimulantes e calmantes correm sérios riscos de saúde.

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Você conhece alguém que já tenha recorrido a remédios tranquilizantes ao se deparar com uma situação de ansiedade, como uma prova ou uma viagem de avião? Ou, ainda, se automedicou com aquele comprimido “infalível para dor de cabeça ou dores no corpo”? Se a resposta for sim, atenção: é preciso ficar alertar ao uso abusivo de medicações, elas pode levar à hipocondria ou à dependência de remédios.

Medicações derivadas de anfetaminas, como os estimulantes, e os sedativos como calmantes e tranquilizantes precisam ter seu uso controlado, pois causam dependência. “Variando de substância para substância, a pessoa pode ter reações físicas como tremores, alteração da pressão arterial, coração acelerado, suar demais, ficar ansiosa, inquieta, agitada, nervosa e pode, inclusive, alucinar e delirar pela falta da medicação. No caso específico das anfetaminas, a pessoa pode ter surtos. Os sedativos, por exemplo, são medicações livremente prescritas pelos médicos”, falou ao Tempo de Mulher o psiquiatra Deyvis Rocha.

Sobre a hipocondria, apesar de não ser considerado um caso de dependência, pode trazer danos à saúde: “Se automedicar com remédios sem prescrição, aqueles de fácil acesso para qualquer pessoa, pode levar o hipocondríaco a intoxicação. São, normalmente, medicações para dor, ou seja, os analgésicos, além de anti-inflamatórios”, explicou o especialista.

Michael Jackson e Heath Ledger

O diagnóstico de morte por abuso de remédios de famosos como o cantor Michael Jackson, morto em 2009, e o ator Heath Ledger, que foi encontrado morto em 2008, estão entre os conhecidos casos de pessoas que tiveram sua autópsia divulgada como “morte por abuso de medicamentos”.

A primeira hipótese sobre a morte do filho do ator Sylvester Stallone, o produtor e diretor Sage Stallone, encontrado morto no dia 13 de julho, também foi a de que fosse viciado em remédios, mais especificamente o Hidrocodona (Vicodin), analgésico opióide indicado para o alívio de dores crônicas. Mas a hipótese foi descartada por conta de suas características físicas, já que media 1,70, e pesava 85 quilos, diferente de viciados em drogas que geralmente terminam magros.

Já foi feita a autópsia em Sage Stallone, mas a causa de sua morte só será descoberta entre 4 e 6 semanas. Porém, autoridades de Los Angeles já levantam uma nova suspeita: a de que o produtor e diretor estivesse envolvido com o tráfico da droga da qual havia suspeita de que ele ingerisse. Foram encontrados no quarto de Sage mais de 60 frascos vazios de remédios e vários sacos de pó branco que podem ter sido usados para abastecer um farmacêutico.

Confira as orientações do psiquiatra Deyvis Rocha para identificar dependentes de remédios e hipocondríacos.

Dependência de remédio é diferente de hipocondria: Quais as medicações que causam dependência?

Primeiramente, é preciso esclarecer que são considerados dependentes de remédios pessoas que abusam de medicações derivadas de anfetaminas (estimulantes) e de sedativos (calmantes, tranquilizantes).

Apesar de maior restrição quanto à prescrição, os estimulantes são os remédios mais usados de maneira abusiva.

Os sedativos são medicações livremente prescritos pelos médicos. Entre eles estão Diazepam, Lexotan e Rivotril.

 

Entenda o que é hipocondria: Como identificar um hipocondríaco?

Medicação para dor, ou seja, os analgésicos, além de anti-inflamatórios, não causam dependência. A pessoa que abusa desse tipo de medicação é hipocondríaca. Essas pessoas têm receio de ficarem doentes ou sempre pensam que estão.

O hipocondríaco tende a hipervalorizar a dor. Uma coceira ou dor de cabeça, por exemplo, viram doenças graves mesmo sem terem sido diagnosticadas. Passam a tomar várias medicações e procuram o médico com constância sem motivo aparente.

Se automedicar com remédios sem prescrição pode levar o hipocondríaco à intoxicação. Dessa maneira, apesar de a hipocondria não ser considerada dependência e nem doença, dependendo do remédio ingerido de forma abusiva, pode levar essas pessoas a terem mal-estar gástrico, dores de cabeça, sonolência excessiva, baixa de pressão, agitação psicomotora e até úlcera. Isso com o uso de medicamentos que qualquer um tem em casa como a dipirona sódica, geralmente utilizada como analgésico e antitérmico.

Lembrando que existem os analgésicos narcóticos (também conhecidos como opióides) como a morfina, que causam dependência. São mais receitados em casos extremos, como para tipos de câncer mais dolorosos, portanto a dificuldade de acesso é maior.

Características de um dependente de remédios: O que caracteriza a dependência? Como identificar se uma pessoa é dependente de remédios?

Aumento da dose: O paciente adquire um grau de tolerância à substância – isso vale também para álcool e nicotina, além de medicação -, mas ao passar do tempo não há mais resultados com aquela dose. Sente a necessidade de aumentá-la para ter a mesma sensação que o remédio lhe proporcionava antes.

Mudança de comportamento: A pessoa vai direcionar seus objetivos para conseguir mais vezes a substância. Deixa de fazer coisas importantes, como ver a família, se divertir, passa a investir seus recursos para não faltar o remédio, deixa de se preocupar com o mal que está fazendo para seu organismo e que pode sofrer consequências psicológicas. De fato, a vida da pessoa passa a ser controlada pelo empenho em adquirir e usar com maior frequência a substância. Pode, inclusive, procurar o médico para conseguir mais receitas. No caso da negação do médico, o paciente vai procurar alternativas, como pedir receitas para amigos e conhecidos profissionais de saúde.

Abstinência: Quando a pessoa deixa de usar, passa a ter reações físicas pela falta da substância que, de alguma forma, já é necessária para o corpo.

Riscos do uso descontrolado da substância: Quais são os riscos do uso dessas substâncias de maneira descontrolada?

Reações: Variando de substância para substância, a pessoa pode ter reações físicas como tremores, alteração da pressão arterial, coração acelerado, suar demais, ficar ansiosa, inquieta, agitada, nervosa e pode, inclusive, alucinar e delirar pela falta da medicação. No caso específico das anfetaminas, a pessoa pode ter surtos.

Como são receitados estimulantes e sedativos: Para que os medicamentos (estimulantes e sedativos) são receitados?

Primeiramente, esses medicamentos têm prescrição restrita. Os anfetamínicos são indicados para emagrecimento, por exemplo. Como aceleram o metabolismo, as pessoas ingerem com maior frequência ao avaliar que podem perder os quilos desejados mais rapidamente.

Já os sedativos são indicados como tranquilizantes, então, sentir um bem-estar e livrar-se da ansiedade pode fazer com que as pessoas passem a tomar maiores doses. É um problema quando torna-se um hábito.

Automedicação gera dependência: Tomar remédio por indicação de terceiros pode levar a dependência?

Apesar de o uso de estimulantes e sedativos requerer receita médica, é possível que uma pessoa torne-se dependente ao se automedicar com remédios de alguém próximo.

Um exemplo muito comum é de uma pessoa achar que vai curar uma ansiedade tomando o mesmo calmante de um membro da família, que provavelmente só o utiliza por orientação do médico.

Muita gente toma sedativo por conta de um nervosismo antes de uma prova importante, uma viagem de avião. Mas, quando menos espera, começa a buscar a sensação de tranquilidade alcançada anteriormente de uma forma mais frequentemente.

O Rivotril, por exemplo, é um dos medicamentos mais prescritos no Brasil. Há muitos casos de pessoas que começam a se automedicar com a receita e indicação do outro. A pessoa pode até se sentir bem no começo, mas se tiver mal e for uma depressão, por exemplo, o sedativo só vai lhe servir por algumas horas. Essa pessoa deveria ir ao médico e ser receitada com um antidepressivo adequado ao seu problema, se for o caso.

Também há casos de pessoas que já ingeriram sedativos de terceiros e por se sentirem bem, vão até o médico para tentar a receita daquele remédio que lhe faz sentir bem.

Se automedicar com esses remédios, então, é sim uma forma de criar dependência.

Dependência de remédios é uma doença?

Sim, é uma doença. O uso dessas substâncias fazem mal ao organismo. O uso frequente de sedativos pode causar alterações na memória. Já o uso de estimulantes pode resultar em sintomas psicóticos como alucinações (ouvir vozes, ver coisas que ninguém vê) e delírios (ideia de perseguição, de que estão planejando contra a pessoa).

Cura para a dependência: A dependência de remédios tem cura?

Primeiramente, há duas categorias de pacientes:

Abuso da medicação: É justamente o estágio que o paciente passa de uma dose para duas, três em diante. Ainda não é considerado dependente e nem sofre com os sintomas. Mas já é um grau, um indício de que está entrando em estado de dependência da substância. Nesse caso, o tratamento é mais fácil, pois o paciente não desenvolveu sinais de abstinência.

Dependência: O tratamento não é igual para todos os dependentes, pois cada caso é um caso. Uma das principais etapas é a desintoxicação. Mas a droga não é retirada subitamente, pois o paciente pode ter síndrome de abstinência.

O primeiro passo do tratamento é a vontade do paciente, é fundamental que ele esteja disposto a se curar. A terapia psicosocial é indicada por ajudar a desenvolver o reconhecimento da dependência no paciente, pois a maioria deles ignora estar doente psicologicamente.

É feita, ainda, uma terapia que envolve médicos especialistas, psicólogos e terapia familiar, para que os entes o ajudem na recuperação. Pode-se incluir também tratamento medicamentoso para controle de ansiedade e abstinência.

Dependência gera dependência?: Dependentes de remédios têm mais facilidade de desenvolver outras dependências?

É controverso, essa “transmissão” de dependências não acontece tão facilmente, é com uma pessoa ou outra, não há regra. É preciso alertar que na literatura médica não há estudos que apontem esse dado.

Conselho do especialista: Qual é a orientação para as pessoas que têm o constume de se automedicar?

É preciso ficar alerta com o “autotratamento”. As pessoas podem se tornar hiponcondríacas com o uso abusivo de analgésicos e anti-inflamatórios, e dependentes no caso da automedicação com estimulantes e sedativos.

No caso da dependência, é importante que os familiares observem as reações da pessoa que ingerem esses medicamentos e os apoiem no tratamento.

Se automedicar sem se consultar com o um especialista é a origem dos casos de hipocondria e dependência de remédios. Ao invés de as pessoas ficarem boas, acabam prejudicadas.

Não tem segredo, qualquer coisa que sentir de anormal, é preciso procurar um médico para que ele auxilie.

Saiba mais sobre os analgésicos que podem levar à morte:

Enquanto alguns analgésicos podem levar à hipocondria, outros, se usados de forma abusiva, podem levar à morte. São eles os analgésicos narcóticos (também conhecidos como opióides), teoricamente restritamente prescritos pelos médicos. Os opióides são medicações derivadas do ópio – caso da morfina, a metadona e a oxicodona -, e que afetam a forma como o cérebro percebe a dor.

Os norte-americanos têm sofrido com esse problema. Para se ter uma ideia, em 2008, o número de pessoas que usavam medicamentos prescritos acima do recomendado ou para outras finalidades (6,2 milhões de pessoas) já era maior do que o de dependentes de drogas ilícitas, superando, inclusive, o número somado de pessoas que usaram cocaína, heroína, alucinógenos, ecstasy e inalantes. Os dados são de um relatório divulgado em 2010 pelo Departamento Internacional de Controle de Narcóticos, instituição ligada à ONU.

Outro levantamento divulgado no começo do mês de julho de 2012, dessa vez pela Administração de Alimentos e Fármacos (FDA) dos Estados Unidos, aponta que cerca de 16 mil pessoas morreram em 2009 devido ao uso indevido ou overdose de analgésicos opióides em comparação às 14.800 mortes no ano anterior.

Segundo reportagem da Agência de Notícias EFE, “o órgão norte-americano anunciou um plano para combater o abuso desses analgésicos receitados pelos médicos, que se transformaram em uma ‘epidemia’ naquele país”. Convocaram “fabricantes destes potentes analgésicos para criarem estratégias de educação e capacitação para os profissionais da saúde sobre o uso correto destes remédios e como desfazer-se deles adequadamente”. Apesar disso, esses medicamentos podem ser comprados na internet, contrabandeados ou falsificados.