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“As meninas com ebriorexia costumam ficar até tarde na rua, comer, beber, fumar e não se privar de nada. Depois chega a frustração e vomitam”, comenta Cecilia Caruana, psicóloga da Associação em Defesa do Atendimento à Anorexia Nervosa e Bulimia.

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Álcool, festas e magreza. A ebriorexia ganhou destaque através de algumas famosas como Lindsay Lohan e Victoria Beckham. Mas esta patologia, longe de ser uma coisa exclusiva das divas, também afeta adolescentes anônimas que somam o alcoolismo ao pesadelo de sofrer um transtorno da alimentação.

O consumo frequente de bebidas alcoólicas e a obsessão por ficar magro dá lugar a um coquetel muito perigoso. Este tipo de conduta recebe o nome de ebriorexia, embora, segundo os especialistas, não se trate de uma doença em si mesma.

“Ninguém é diagnosticado de ebriorexia”, diz Cecilia Caruana, psicóloga da Associação em Defesa do Atendimento à Anorexia Nervosa e Bulimia (Adaner), da Espanha. A especialista explica que costumam acontecer casos de bulimia nervosa junto com episódios de alcoolismo.

A ebriorexia tem uma relação mais estreita com a bulimia do que com a anorexia. A Associação Americana de Psicologia diz que quem sofre de anorexia tende a ser perfeccionista, enquanto as pessoas com bulimia são, frequentemente, impulsivas.

Cecilia explica que a principal diferença entre anorexia e bulimia está no controle. “Na anorexia há muito mais força de vontade. Esta doença é cheia de inibições e carece do lado social que a bulimia tem”, esclarece.

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As pessoas bulímicas, no entanto, comem em excesso ou têm “episódios regulares de ingestão excessiva de alimento”. Depois utilizam diferentes métodos para evitar o aumento de peso tais como vomitar ou consumir laxantes, segundo o site “medlineplus”, um serviço da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos.

“Tentar ter tudo já é mais próprio de condutas bulímicas. Quem sofre de ebriorexia costuma ficar até tarde na rua, comer, beber, fumar e não se privar de nada. Depois chega a frustração e vomita”, comenta a psicóloga.

Pelo contrário, deixar de comer para compensar as calorias que são ingeridas com o álcool parece menos acessível. “É complicado viver assim. Qualquer pessoa que começa a beber sem ter comido nada dura muito pouco de pé”, explica Cecilia.

O sinal de alarme

O sinal mais evidente dos transtornos da alimentação é a perda de peso. Mas, no caso da ebriorexia, podem ter também outros sinais que disparam o alarme. Para detectar esta patologia, a psicóloga recomenda aos pais que levem em conta se sua filha chega muito tarde à noite, se levanta com mau aspecto, se mostra irascível e sofre uma deterioração em outros aspectos da vida, como nos estudos e nas relações familiares.

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A especialista aconselha ter cuidado e diferenciar os comportamentos que podem fazer parte do desenvolvimento normal de um adolescente, das condutas que beiram o patológico.

O papel da família é, além disso, fundamental na prevenção da ebriorexia. “Aquelas que não fixam alguns limites claros e as que, pelo contrário, são excessivamente rígidas têm mais probabilidades de ver algum membro sofrer disso“, assinala a especialista.

Por outro lado, Cecilia insiste na importância que a intolerância à frustração tem na ebriorexia. “O fato de querer conseguir tudo de maneira imediata e sem esforço faz parte destas patologias“, esclarece.

Mas a prevenção também passa pelo colégio. “Consiste em educar os alunos em hábitos saudáveis e em ensiná-los a ser críticos com os valores sociais. Tudo isto ajuda para que uma pessoa possa pôr uma barreira entre ela mesma e o mundo exterior”, conclui a especialista.

As pessoas brincam demais com a vida e esquecem que é só uma.

Fonte: MSN