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Os direitos autorais de “Ai Se Eu Te Pego”, música brasileira de maior repercussão internacional nos últimos anos, viraram alvo de disputa na Justiça. Até agora, nove pessoas já disseram ter participado da composição.

Em meio ao imbróglio, o juiz Miguel de Brito Lyra Filho, da 3ª Vara Cível de João Pessoa, determinou, na última segunda-feira (12), em caráter liminar, que todo o dinheiro gerado com a venda, execução ou distribuição da música seja depositado em juízo.

A decisão veio à tona depois que as estudantes Marcella Ramalho, Maria Eduarda dos Santos e Amanda Queiroga foram à Justiça declarando ser coautoras da canção, que só virou hit a partir da versão gravada pelo sertanejo Michel Teló.

Segundo um dos advogados delas, Miguel de Farias Cascudo, o refrão foi criado durante uma viagem de um grupo de adolescentes de João Pessoa a um parque da Disney, nos EUA, em 2006.

Ainda de acordo com o advogado, o refrão foi composto por sete garotas (entre elas as três estudantes) que dividiram um quarto durante a excursão. Dois anos depois, prossegue Cascudo, parte do grupo viajou à Bahia, e o trecho, cantado por elas no local, chamou a atenção da cantora Sharon Acioly.

Em seguida, sustenta o advogado, a artista registrou “Ai Se Eu Te Pego” a partir da junção do trecho criado pelas estudantes e de uma música de Antônio Diggs, que viraria a introdução da canção atual.

“A Sharon não pode ser considerada coautora de uma obra que ela não construiu. As meninas seriam autoras com o Antônio Diggs”, afirmou o advogado.

Procurada, Sharon disse, via assessoria de imprensa, que não vai comentar o caso.

COAUTORIA

Em fevereiro deste ano, Sharon Acioly divulgou um comunicado sobre um acordo em que reconhecia as estudantes Karine Vinagre, Amanda Cruz e Aline Medeiros, que fazem parte do grupo que foi à Disney, como coautoras da música.

Em nota, a artista diz, sobre as estudantes que “vieram a público reivindicar suposta participação na autoria e divulgaram uma alegada disputa incoerente”, que as mesmas “não são reconhecidas pelos verdadeiros compositores e coautores”.

O magistrado citou, além de Sharon e Diggs, a gravadora Som Livre, Michel Teló, a editora Panttanal e a Apple, dona da loja virtual iTunes.

A assessoria de imprensa de Teló informou que o artista não foi comunicado oficialmente sobre a decisão e que a gravação foi autorizada pelas pessoas que a registraram (Diggs e Acioly).

Em tempo, a Som Livre, gravadora do artista, também afirnou que não foi notificada sobre a ação, e que, até o momento, não tem conhecimento do processo. “A gravadora, como sempre, pagará rigorosamente os direitos autorais aos compositores legalmente estabelecidos”, informou a assessoria de imprensa da empresa.

Todo mundo quer dinheiro fácil.

Fonte: Folha On-line