Olá,

Lindemberg Alves Fernandes, 25, pediu desculpas à mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, durante o interrogatório que acontece neste terceiro dia de julgamento. “Eu queria aproveitar e pedir desculpas publicamente à dona Tina por tudo que aconteceu”, afirmou o rapaz.

A mãe de Eloá acompanha o julgamento ao lado dos dois filhos. No momento em que ouviu o pedido de desculpas do réu, apenas balançou a cabeça de forma negativa.

Plenário onde acontece o julgamento de Lindemberg Alves Fernandes, no Fórum de Santo André, Grande SP

O rapaz é acusado de matar Eloá após mantê-la em cárcere privado por mais de cem horas, em outubro de 2008. “Infelizmente, eu atirei nela. Parecia que ela poderia vir pra cima de mim. Foi tudo muito rápido”, afirmou o réu com a voz embargada.

As contradições em relação aos depoimentos de testemunhas do caso marcaram o interrogatório de Lindemberg Alves ontem, no Fórum de Santo André, no ABC. A principal delas se refere a uma suposta traição de Eloá Pimentel. Segundo o réu, o casal havia rompido um mês antes do crime. Ele declarou, porém, que ‘cinco ou seis dias antes de 13 de outubro (início do cárcere privado), tinha reatado’, após Eloá flagrá-lo com uma outra jovem que conhecera em um samba.

Apesar da reconciliação, o namoro seria mantido em segredo. Mesmo assim, Lindemberg afirmou que continuou a frequentar a casa da vítima. Foi o que disse ter feito depois do almoço do primeiro dia do crime, quando sabia que Eloá já havia voltado da escola, pensando que a encontraria sozinha. No apartamento, porém, estavam também Nayara Rodrigues da Silva, o então namorado dela, Iago Vilera de Oliveira, e Victor Lopes de Campos, todos com 15 anos na época. ‘Ela ficou nervosa porque pensava que eu estaria trabalhando e ficou tentando se explicar, porque sabia que eu não conhecia o Victor’, disse, no depoimento.

Lindemberg afirma ter ouvido do próprio Victor que ele teria ‘dado uns beijos nela’, sem saber que Eloá havia reatado com o namorado – informação que não bate com o depoimento do rapaz nem com os dos demais amigos de Eloá. Segundo eles, a jovem não teve nenhum outro relacionamento e estava rompida com Lindemberg.

O réu disse ainda que, só após a suposta confissão de Eloá, sacou a arma, outra informação diferente da apresentada por testemunhas. ‘Ela começou a gritar e eu saquei a arma e disse: ‘Para de gritar”, afirmou.

Nesse momento, Lindemberg relata que Eloá ficou ‘mais calma’. Ele ressaltou na sequência que foi até o quarto onde estavam os três amigos dela e pediu que se retirassem. ‘Mas eles não aceitaram, disseram que só desceriam com ela.‘ Os rapazes alegaram ter sido agredidos a coronhadas, o que também não bate com o interrogatório de Lindemberg. Mais tarde, segundo ele, Iago e Victor só resolveram sair do apartamento porque passaram mal. Os três negaram que estivessem livres para sair.

Outra contradição diz respeito à chegada de Lindemberg ao apartamento de Eloá. O irmão dela, Everton Douglas Pimentel, de 17 anos, afirmou que foi deixado por Lindemberg em um parque longe de casa só para que o acusado pudesse ficar sozinho com Eloá. O réu, no entanto, afirma ter conversado com o rapaz por apenas dez minutos.

Lindemberg também não assume ter atirado da janela em direção ao sargento da Polícia Militar Atos Valeriano. ‘Eu estava muito nervoso e tomei atitudes impensadas. Atirei para o chão para manter a polícia longe do apartamento.’ De acordo com o depoimento dos jovens mantidos no cativeiro pelo réu, o rapaz teria até comemorado o fato de quase ter atingido o policial.

Acaso. De acordo com a versão apresentada por Lindemberg, uma sucessão de acasos acabou levando ao fim trágico. A começar pela arma que usava, comprada por R$ 700 de um homem que conheceu em um parque após receber três ameaças de morte por telefone. ‘Era um senhor que precisava do dinheiro para voltar para a terra dele’, disse. O rapaz também afirmou só ter ido ao apartamento de Eloá porque um dia antes havia ido a uma balada e perdido a hora para chegar ao trabalho.

caso-eloa-segundo-dia-do-julgamento-de-lindemberg-alves

Se desculpas trouxesse um ente querido, quem sabe alguém conseguiria perdoar um assassino frio.

Fonte: MSN e Folha On-line