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Nicki Minaj entra ventando na sala, com o que deve ser sua peruca mais simples. Sempre usando alguma – todas de outro mundo -, hoje a moça de 26 anos optou por um visual relativamente modesto, escolhendo uma peruca negra de franjinha. Ela se acomoda em uma cadeira no hotel London, em Manhattan.

NICKI MINAJ:  contratada pelo ?rapper? Lil Wayne, ela

A autoproclamada “Barbie de Harajuku” (em referência ao bairro alternativo de Tóquio) está cansada. Há meses, viaja pelo mundo para promover seu CD de estreia, que já é disco de platina, “Pink Friday”.

– Em Londres, havia paparazzi por todo lado, e gente acampada na porta do hotel.

A ascensão de Nicki ao superestrelato é quase sem precedentes. Ela foi coroada rainha do hip-hop antes mesmo de lançar “Pink Friday”, em novembro, depois que sete singles com a sua voz emplacaram ao mesmo tempo na parada Hot 100 da revista “Billboard” – um recorde para uma rapper. Parecia que algo estava faltando se suas rimas ácidas e brincalhonas não estivessem em uma música. Todo mundo – de Mariah Carey e Usher a Ludacris e Christina Aguilera – queria ter Nicki.

Em sua primeira semana, “Pink Friday” vendeu 375 mil cópias nos EUA, ocupando o segundo lugar nas paradas, atrás de “My beautiful dark twisted fantasy”, de Kanye West, que colaborou com Nicki em um single de sucesso, “Monster”, e uma vez se referiu a ela em uma entrevista como “a artista mais assustadora do momento“. Como qualquer um, no entanto, ela tem limites, que foram testados em Londres, quando fãs foram ao quarto de hotel de sua maquiadora, no meio da noite.

– Sete meninas esmurraram a porta dela, dizendo: “Leve-nos a Nicki” – conta a cantora.

O pedido não parece totalmente inadequado, dada a propensão da cantora a um exibicionismo extraterrestre. Nicki pode gostar ou não, mas ela se tornou uma líder. Recentemente, tem viajado com Britney Spears, na turnê “Femme fatale”.

– Minha mãe ainda não captou a magnitude do meu sucesso – diz Nicki, nascida Onika Tanya Maraj, em Trinidad, antes de crescer no subúrbio de South Jamaica, no Queens, em Nova York. – Ela não saberia a diferença entre Beyoncé e Alicia Keys, e, quando tento explicar o quão longe já fui, ela prefere falar sobre chamar o encanador.

Nicki é muito próxima da mãe (que ainda mora no Queens, em uma casa que a filha comprou com o dinheiro de suas três primeiras mixtapes), e é feroz protetora da família.

Ela veio para os EUA aos 5 anos, depois de passar dois em Trinidad com os avós, enquanto os pais tentavam se estabelecer no país. Mas os sonhos da vida em uma casinha branca logo foram exterminados. O pai de Nicki, de quem ela está afastada, tornou-se viciado em drogas. Ele roubava para sustentar o vício, e uma vez chegou a tentar incendiar a casa da família com a mãe dela dentro.

Com o apoio da mãe, a menina foi fazer teatro na LaGuardia High School (uma rouquidão no dia do teste musical a forçou a virar-se para a carreira dramática, sua segunda opção). Depois de se formar, ela teve uma série de empregos em tempo parcial, para pagar horas de estúdio.

– Era uma tortura. À noite, eu era uma artista, mas de dia era uma escrava. Quando penso naquela época, nas pessoas que faziam da minha vida um inferno, quero dizer: “Estão me vendo agora? Sou eu, rindo por último, depois de todos aqueles anos em que vocês me faziam achar ruim levantar de manhã.”

O sucesso não veio facilmente. Depois de ser dispensada de seu último emprego, Nicki pensou em abandonar suas aspirações musicais.

Eu não tinha dinheiro, ninguém para ligar, era só eu – diz. – E tinha que contar à minha mãe que estava sem emprego e pedir para voltar para casa.

Aos 22 anos, Nicki resolveu se concentrar na carreira:

– Além de fé, a única coisa que me ajudou foi o medo do que aconteceria com a minha família se eu não conseguisse.

O rapper Lil Wayne a descobriu um ano depois, ao ver um de seus muitos DVDs caseiros. Ele a contratou para seu selo, Cash Money, em 2009. Em vez de tentar reforçar seu sex-appeal, como faria a maioria dos produtores, Wayne a incentivou a investir no lado esquisitão, o que não chega a ser surpreendente. Ele, que saiu da cadeia no começo do ano após cumprir oito meses por posse ilegal de arma, tem diamantes implantados nos dentes por toda a boca e lágrimas tatuadas sob os olhos.

Os personagens de Nickiprincipalmente sua personificação da boneca Barbie – enfatizam a parte plástica sobre a pessoal, o que, para alguns, trouxe o questionamento sobre sua autenticidade musical.

– Eu entretenho as pessoas, é para isso que elas pagam. Eles não querem me ver rolar para fora da cama, com remela nos olhos, e dizer: “Oi, gente, essa sou eu, autêntica.” Eles pagam por um show.

Como Lady Gaga, Nicki já foi criticada por se assumir como uma desajustada.

– Nós duas temos esse clima estranho, não bonito. Dizemos (eu, pelo menos) que é o.k. ser estranho. E talvez o seu estranho seja o meu normal. Quem sabe? Acho que é uma atitude que temos em comum.

Só sei que ela canta muito.

Lyllyan

Fonte: O Globo