Olá,

Não dá pra contabilizar quantas vezes se escreveu ou se falou Obama no lugar de Osama (e vice-versa) nas últimas semanas. Uma letrinha faz toda a diferença. Falando de nomes de banda, a coisa também não anda fácil pra ninguém. No “witch house”, a situação é crítica. Prince na fase o-artista-antes-conhecido-como-Prince, quando trocou o nome por um símbolo, fez escola. Bandas com nomes impronunciáveis (e ingoogláveis) pipocam: oOoOO, pyr?mids of ??, Gr?ll Gr?ll, I???R ou ?33?H. E tinha gente achando complicado os títulos dos discos do Justice e da M.I.A., respectivamente “?” e “////”.

No universo chillwave (e do jeito que o termo vem sendo colado em tudo, bota universo nisso) as coisas não são tão radicais. O que impera é a sensação de dislexia ao ler o nome dos artistas: Com Truise, Jichael Mackson e Hype Williams são alguns deles.

Responsável pelo Chet Faker, cuja versão do hit dos anos 1990 “No diggity” (Blackstreet) ocupa o topo da parada do Hype Machine esta semana, o australiano Nick (que para completar assina os e-mails como James Murphy, como o líder do LCD Soundsystem) se inspirou no cinema para escolher seu nome artístico:

– Chet Baker é o James Dean do jazz, muito talentoso, porém mais interessado em manter a fama de bad boy do que em tocar trompete. O nome é para me lembrar de fazer uma música que atenda a uma imagem, o que é uma piada para mim mesmo. Sou fã de música orgânica, sem amarras. Iniciar um projeto com o objetivo oposto soa um pouco falso pra mim, por isso o faker (falsificador).

O polonês Marek, mais conhecido como Eltron John, tirou seu nome de antigos amplificadores onipresentes em praças e escolas nos tempos do comunismo, o Eltron 100. Abandonados em depósitos após o fim do regime, eram utilizados por jovens para embalar suas festas, mesmo com a qualidade duvidosa do som. Fã de dub, adotou o nome Eltron John Soundsystem antes de simplificar e se tornar quase um homônimo do artista inglês.

– Sou fã do Elton John e se tivesse que fazer comparações, seria a pegada soul e funk. Ele criou algo próprio, sem tentar soar como os artistas negros, gostaria de criar uma sonoridade pessoal também. Diferentemente dele, não sou inglês, não sei tocar piano ou cantar muito bem (apesar de que gostaria) e não tenho um marido.

Para Marek, a chuva de nomes estranhos não passa de coincidência:

– Quando adotei esse nome, não era ligado em internet, acessava muito pouco, não pensei nisso como nenhum tipo de estratégia para ser notado ou encontrado facilmente on-line. Quando descobri outros artistas com nomes parecidos com outros mais famosos, não dei muita atenção a isso. Os nomes remetem a outros artistas, mas não necessariamente a música. Não vejo um comportamento interligando esses artistas.

Com a quantidade de bandas que surgem todo dia, os bons nomes vão rareando. Nick oferece uma explicação para a escolha de nomes tão estranhos pela safra de artistas atuais, baseada no excesso de informação de hoje em dia:

– A música pop tem uma conotação tão negativa atualmente que é uma progressão natural as pessoas evitarem o acesso, dificultando serem encontradas. No entanto, acho que é uma onda que vai passar rápido.

O povo para chamar atenção faz qualquer negócio. 

Lyllyan

Fonte: O Globo