Uma das maiores e mais importantes cidades brasileiras está sob a ameaça de uma variante do enterovírus – o Cox 24 – , responsável pela conjuntivite hemorrágica aguda. Entre o início do ano e o final de março, o Centro de Controle de Doenças, associado à Secretaria Municipal de Saúde, confirmou 119.148 infeções na cidade, quatro vezes mais do que o valor registado em todo o Estado de São de Paulo em igual período de 2010.

 

As autoridades de Saúde admitem, no entanto, que o número pode aumentar, já que nas últimas duas semanas não foram entregues novos relatórios dos clínicos no terreno. Para os especialistas locais, a agressividade do Cox 24 deve-se ao facto do vírus ter estado praticamente ‘desaparecido‘ desde 2003 e à sua capacidade de manter-se vivo no ambiente até sete dias, por exemplo em superfícies como telefones, mesas, corrimões de escadas, entre outros. Tem um período de incubação de três dias e é transmissível durante sete.

Por cá, o Cox 24 nunca foi ‘avistado’. “Até à data, o Instituto Ricardo Jorge (INSA) não tem conhecimento de que alguma vez tenha sido identificado em Portugal“, faz saber a assessora de comunicação, Ana Morais. Os especialistas do INSA acrescentam que “desconhecem-se igualmente os motivos que levaram ao seu reaparecimento em São Paulo; ainda assim, importa referir que este vírus constitui um grave problema em saúde pública, sobretudo em países em vias de desenvolvimento onde as condições sanitárias são dum modo geral deficientes“.

Segundo os oftalmologistas ouvidos, a quantidade de pessoas afetadas deve ser ainda maior levando-se em conta as duas últimas semanas, que não entraram nos números da Secretaria. ‘Estamos atendendo, em média, 400, 500 casos de conjuntivite por dia. Normalmente são menos de cem’, diz Denise de Freitas, chefe do Departamento de Oftalmologia do Hospital São Paulo, da Unifesp.Em 18 de março, quando o JT noticiou a epidemia de conjuntivite na capital, a instituição já contabilizava 300 atendimentos por dia eram esperados 100 para o período.

A predominância de casos provocados pelo Coxsackie A24 na epidemia deste ano foi identificada pelo Instituto Adolfo Lutz. Capaz de permanecer até uma semana em objetos usados pelo paciente, o vírus também é transmitido na fase latente. ‘Mesmo sem sintomas, a pessoa pode estar transmitindo‘, diz Carolina Paranhos, oftalmologista do Hospital de Olhos de São Paulo.

Para tentar evitar a proliferação da doença, a Secretaria da Saúde tem distribuído álcool gel nas escolas. A higienização constante é uma das formas de evitar o avanço da conjuntivite.Nos postos de saúde do município, metade dos atendimentos é de pessoas com sintomas da conjuntivite. O vírus já foi detectado em várias cidades. Em Rio Claro, foram registrados 502 casos até o dia 5 de março.

Conjutivite em animais

Antes de mais nada, uma notícia para aliviar os paulistas: a conjuntivite humana não afeta os bichos e vice-versa.  Maia esclarece que a doença que acomete os animais é diferente da que infecta humanos.Nos cachorros, por exemplo, é muito raro haver contaminação. “A doença, em cães, é proveniente de um ressecamento ocular, causado pela poluição ou ações climáticas”.

Já os gatos são mais facilmente contaminados, porém, não sofrem surto desta doença. Porém, isso não significa que se possa ter menos zelo com os animais.Para identificar se o seu animal está infectado, não há mistério. Segundo Mancini, os sintomas da conjuntivite em animais são semelhantes aos que surgem em humanos.

Os animais ficam com as pálpebras superiores inflamadas e inchadas, os olhos vermelhos, lacrimejantes e repletos de uma secreção amarelo-esverdeada. Além disso, passam a piscar excessivamente.“Os animais tendem a coçar o olho infectado para aliviar a coceira e podem acabar machucando as pálpebras. Isso pode acarretar uma úlcera de córnea e uveíte – uma inflamação na íris”.

Sintomas nas pessoas

O agente pode provocar hemorragias na membrana que forra a parte branca dos olhos e a face interna das pálpebras e os sintomas podem ser mínimos como imediatos. Há ainda casos em que é prescrito um antibiótico para evitar outras infeções oportunistas provocadas por bactérias. Ainda assim, com mais ou menos rapidez, este tipo de conjuntivite “não permanece além das três semanas a um mês“, explica o especialista da Ordem dos Médicos.

Existem três tipos de conjuntivite:

Alérgica, provocada geralmente por uso de filtro solar na região dos olhos;

Bacteriana, que provoca vermelhidão e coceira, além de uma secreção amarelada e grudenta;  

Viral, a mais comum e contagiosa, que provoca coceira, vermelhidão e uma secreção aquosa.

No caso da epidemia de São Paulo, os casos foram associados à forma viral da doença. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Prevenção

Higiene é o melhor tratamento. Não use água boricada. Água filtrada, gelada,  fervida, de preferência gelada é indicada para lavar os olhos. O atendimento médico deve ser procurado para diagnosticar casos mais graves. Consulte um oftalmologista.

Em casa, é preciso separar alguns objetos, como toalha e travesseiro, e evitar muitos beijos e abraços (é só por um tempo!). A criança não deve frequentar a escola, para evitar passar a doença para os colegas.

Vale lembrar que  também a conjuntivite bacteriana, que não é tão frequente nesta época, mas apresenta sintomas similares. A diferença é que a cura é mais rápida, por volta de 10 dias. Como é uma bactéria, o médico pode indicar um colírio de antibiótico. É também só o especialista quem vai poder dar o diagnóstico sobre o tipo da doença.Se a conjuntivite não for bem tratada, pode causar problemas irreversíveis e até mesmo a cegueira.

O Cremesp solicita aos médicos que orientem a população com 10 dicas essenciais:

  • procurar sempre assistência médica quando surgir sinais de conjuntivite,
  • evitar a automedicação,
  • não usar colírios contendo antibióticos, pois a conjuntivite predominante nos surtos atuais é de origem viral,
  • lavar os olhos somente com água mineral, filtrada ou fervida, de preferência gelada,
  • não lavar os olhos com soro fisiológico ou água boricada,
  • lavar frequentemente as mãos,
  • usar somente lenços descartáveis ou gaze,
  • não compartilhar toalhas, maquiagem para os olhos, colírios e outras soluções,
  • trocar constantemente de fronhas;
  • evitar locais aglomerados, quando da ocorrência de surtos
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Tratamento

Segundo o presidente do Colégio de Oftalmologia da Ordem dos Médicos, Florindo Esperancinha, “o tratamento é feito à base de antivirais, mas o sucesso depende da resposta imunitária de cada um“.O tratamento consiste no alívio de sintomas, com compressas geladas para reduzir o inchaço e colírios lubrificantes.

Carol.

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