Mais uma polêmica envolvendo o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ). Dessa vez, o parlamentar afirmou que Preta Gil – cantora – além de se envolver com inúmeras mulheres é adepta da prática de “surubas“. Durante entrevista ao portal UOL, ele ainda se defendeu das acusações que teria sido racista com Preta durante o programa CQC, afirmando ter entendido a pergunta da cantora.No video ele fala mais coisas,não somente sobre a polêmica com a Preta Gil.

 

Duas coisas ‘aconteceu’em resposta à Preta Gil. O que é mais certo, é que eu não entendi a pergunta dela. Porque era uma pergunta que vinha com outras perguntas anteriores. Tudo sobre homossexualismo e corta! E quando vi a Preta Gil, eu já disparei uma resposta que seria padrão para qualquer pergunta dela: Olha, eu não vou discutir contigo promiscuidade. Meus filhos foram muito bem educados, não corro esse risco.”, reproduziu Bolsonaro.

Segundo o deputado, ele havia entendido que a cantora tinha perguntado o que ele faria se um filho dele tivesse um relacionamento gay, por isso respondeu daquela forma.

Bolsonaro ainda se mostrou incomodado pelo fato, segundo ele, de a cantora utilizar o um blog para expor situações íntimas. “Eu não tenho nada a ver com o comportamento sexual realizado entre quatro paredes. O que é natural. Eu não tenho relações sexuais com minha esposa em ambiente que não seja entre quatro paredes e não divulgo isso. A Preta Gil, por exemplo, se entrar no blog dela, ela divulga. Então, a vida dela não é particular, se ela bota no blog, é pública. Ela diz de seus inúmeros relacionamentos com mulheres. Inclusive uma palavra que eu fico até chateado de falar aqui, mas infelizmente, ‘tá ali’, ela realiza surubas”, declarou. 

O deputado ainda afirmou que no blog, a cantora ensina aos homens como se masturbar pela Internet. “Eu lendo aquilo, não tem problemas. Mas não pode, pois nossos filhos! Você não tem como proibi-los de entrar na internet. Não tem como. Ele tem que entrar na internet e acaba escorregando e vendo esses péssimos exemplos de uma pessoa que é pública.”, diz.

Racismo

Em resposta às acusações que seria racista, o deputado brincou: “O que tem haver promiscuidade ao racismo? Pelo dicionário, Preta Gil, você sabe o que é isso? Dicionário – ironizou. Está escrito lá no “Aurélio” (dicionário) que promiscuidade é aquela pessoa que se entrega ao sexo com facilidade. ‘Tá ok’? ‘Tá’ explicado, é o caso dela, que ela diz na página dela,” afirmou Bolsonaro. O parlamentar, como forma de comprovar que não é racista ainda afirmou que é casado com uma mulata.

Preconceito

Bolsonaro se diz contra a distribuição do kit gay por considerá-lo inadequado para estudantes do primeiro grau. “Um material dito didático com cartazes, cartilhas e filmetes, que para mim são filmetes pornográficos para garotos. A garotada do primeiro grau, mostrando lá, a intenção deles é combater a homofobia, mas os garotos do primeiro grau ao assistirem filmes como Encontrando Biaca, Beijo Lésbico e Boneca na Mochila e mais dois ainda, você vai, na verdade, está estimulando o homossexualismo e escancarando as portas para a pedofilia nas escolas de 1º grau. Kit Gay nas escolas, não.”, esbraveja o deputado.

Caso sobre Bolsonaro reabre discussão sobre imunidade parlamentar

O artigo 53 da Constituição diz que deputados e senadores não podem ser processados na Justiça por suas opiniões, mas muitos especialistas acreditam que essa proteção só é aplicável a situações relacionadas ao exercício do mandato.

Para o advogado Ives Gandra Martins, a Constituição protege Bolsonaro e não há o que fazer. “Sou daqueles que prefere sofrer o desconforto de manifestações [como essa] do que optar pelo cerceamento da liberdade de expressão“, disse.

O professor André Ramos Tavares, que dá aulas na PUC e no Mackenzie, pensa igual: “O parlamentar precisa fazer o uso da palavra sem se preocupar se vai ofender outro político, outro partido, se vai ser ameaçado de processo“.

Antonio Gonçalves, professor da PUC, acha que Bolsonaro deveria perder a imunidade nesse caso se ficasse caracterizado que ele foi racista na entrevista. “Liberdade de expressão e pensamento é uma coisa, racismo é outra”, disse. “É um crime imprescritível.”

A professora de direito constitucional da UnB Soraia da Rosa Mendes observa que Bolsonaro foi questionado “como pai” e não como deputado, situação em que perderia o direito à imunidade: “Não respondeu o parlamentar, respondeu o indivíduo”.

JURISPRUDÊNCIA

O STF (Supremo Tribunal Federal) examinou o problema pelo menos duas vezes. Em 2002, permitiu que Eurico Miranda, então deputado e presidente do clube Vasco da Gama, fosse processado por acusações feitas ao patrocinador de um time rival.

Em decisão unânime, o STF entendeu que ele fizera as acusações quando usava o chapéu de dirigente do Vasco, e não como deputado.Em 2003, o Supremo rejeitou denúncia apresentada contra o então deputado estadual João Correia (PMDB-AC), que chamara um juiz federal de “juizinho papalvo, medíocre, suspeito, miúdo” em discursos e entrevistas. A denúncia foi rejeitada por 8 votos a 1.

Como cidadão, lamento muito que o parlamentar possa chegar a excesso tal“, disse em seu voto o ministro Cezar Peluso, que hoje preside o STF. “Como juiz, não tenho dúvida de que a imunidade o resguarda.”

Carol.

Jair Bolsonaro diz que está ‘se lixando’ para homossexuais

Fonte: O povo;Folha on-line.