Olá,

Quem acompanha a carreira dos Rolling Stones sabe que Mick Jagger e sua turma não teriam conseguido sem um tal de James, mais conhecido como Jimmy Miller, produtor dos álbuns mais bem sucedidos do grupo, entre eles, “Beggars Banquet” e “Sticky Fingers”.

Porém, pouca gente conhece um outro James quase tão importante quanto esse na vida do cantor–seu primogênito, James Leroy Augustin Jagger, filho da modelo Jerry Hall e irmão das Jaggers mais festeiras de Londres: Georgia May e Elizabeth.

Aos 25 anos, tudo o que James, ou Jimmy, quer, é fugir da sombra dos pais famosos. Tentou modelar por alguns anos, mas diz que se sentiu um “pedaço de carne”. Então, foi ser ator e trabalhar como produtor de cinema. Mas entendeu que gostava mesmo era de música.

Agora, após relutar muito em seguir os passos de Mick, Jimmy finalmente dá as caras no mundo da música com a banda Turbogeist, formada por ele e outros três amigos em Londres –ele nasceu em Nova York–, que vem ao Brasil neste mês. Os shows acontecem dentro do festival Popload Gig/No Mondays nos dias 18 (São Paulo) e 20 (Porto Alegre).

Normalmente, Jimmy não é o porta-voz do grupo, mas topou conversar com a Folha desde que se falasse também sobre a banda ou principalmente sobre ela.

Embora o bonitão não tenha a boca do pai, sua voz denuncia. Os traços são da mãe. A rebeldia também não lhe nega o sobrenome Jagger. Jimmy vai contra tudo e todos com falas ríspidas (mas educadas) e um humor ácido peculiar.

No Turbogeist, ele canta e toca guitarra, assim como Luis Felber (o verdadeiro porta-voz). Há ainda o baterista Josh Ludlow e o baixista James Dodson. Todos da alta sociedade londrina.

“Eu conheci Luis quando tínhamos uns 12, 13 anos, e haviam muitas festas, muitas pessoas. A gente se encontrava para ficar bêbado”, conta Jimmy. As festas e drogas, temas recorrentes nas conversas da dupla, não parecem ser nenhum tipo de tabu para quem cresceu entre o rock ‘n’ roll, flashes e passarelas.

Ao contrário das músicas dos Stones, que têm influência na música negra e no blues, a banda deste Jagger aposta em vocais sujos e guitarras barulhentas, do tipo que incomoda vizinhos –fato que provoca risos nestes rebeldes “sem calças”.

O som se assemelha ao punk e ao hardcore, mas Jimmy faz questão de dizer que não é bem assim. “Não somos uma banda punk, isso soa muito limitado e nós escrevemos todo tipo de música. Preferimos chamar de garagem.”

Vale até glam rock, “mas só David Bowie”, do qual eles também tiraram ideias de maquiagem no começo do grupo. “Você faz as coisas uma vez e todo mundo já vem falar mal. Era véspera de Halloween, pelo amor de Deus”, se defende Jimmy.

Mas esses tempos de vizinhos com vassouras, maquiagem branca na cara e gravações mal feitas deve acabar logo para a banda, que está em vias de assinar contrato com uma gravadora. “Você é supersticiosa? Nós também. Então não escreva nada sobre isso.”

Nesse meio tempo, o Turbogeist segue fazendo gravações caseiras com o produtor Binky Griptite, do Dap-Kings. “Nós não queremos dinheiro, nós somos ricos. Só queremos controle total sobre nossas músicas.”

Folha – Você se irrita com essa comparação constante com o seu pai?
Jimmy Jagger – Não. Quando fomos tocar nos Estados Unidos, muitos fãs de Rolling Stones vieram nos ver. Essas pessoas são muito passionais, então, se conseguimos agradá-los, significa que estamos fazendo alguma coisa certa. Mas a música que eu faço é completamente diferente da do meu pai.

Seu pai influenciou você a gostar de música?
Sempre gostei de música e ouvi todos os tipos, mas nunca estudei, não (risos). Só comecei a tocar guitarra quando tinha 17 anos. Ele nunca me deu nenhum conselho, nem me ajudou em nada. Eu também nunca pedi. Mas ele e minha mãe já foram em alguns shows e eles gostam muito da banda.

Você se acha parecido com ele?
Não.

Você conhece Luciana [Gimenez, modelo que engravidou de Mick em 1999, o que culminou na separação do cantor e Jerry Hall]? Vocês de dão bem?
Sim. É claro que eu a conheço, como eu poderia não me dar bem com a mãe do meu irmão? Até por que… Eu também sou filho bastardo. Meus pais nunca se casaram.

Em uma entrevista ao jornal “Telegraph”, você disse que o sobrenome é “uma maldição”. Por quê?
As pessoas adoram escrever sobre isso. É como se, sem meu pai, eu não fosse nada. Eu podia fazer o que quisesse da minha vida, ser músico, trabalhar no cinema ou com moda, mas eu sempre seria o filho do Mick Jagger. As pessoas continuam perguntando coisas que elas já sabem as respostas.

Você tem namorada?
Não.

Música, cinema ou moda?
Música.

Sexo, drogas ou rock ‘n’ roll?
Rock ‘n’ roll.

Londres ou Nova York?
Londres.

Os anos 1960, 1970 ou 1980?
Todos eles se divertiam.

Beatles ou Rolling Stones?
Kinks.

Eu acho tão engraçado o comportamento de alguns  filhos de famosos porque eles seguem as mesmas profissões dos pais e depois dizem que não tem nada haver… Não teria nada haver se o pai fosse médico médico e ele um cantor de rock… Rs

Lyllyan

Fonte: Folha On-line