Colaboradora : Anele.

publicado por: Gabriel Garbulho.

Pode parecer tarde demais para se analisar um disco que já gerou tantos comentários (e decepções em especial para os executivos da gravadora), mas era preciso esperar o tufão de notícias e polêmicas se acalmar para termos um juízo mais pacífico do que o álbum pode oferecer enquanto música.

Michael“, o álbum, não é bem quisto na comunidade MJ por alguns motivos, bem justos por sinal: é um lançamento da gravadora que travou uma batalha financeira desgastante com o cantor ainda vivo, e que era sua principal desavença nos últimos dias de vida; não tem a mão do cantor na produção, fundamental para a lapidação do som MJ; em algumas músicas, tem o vocal tão processado que chega a parecer um cover (e alguns dizem que realmente o é).

Mas tirando toda a arapuca comercial que prejudica em muito o álbum, temos alguns takes descartados de Michael que valem a audição e, ainda bem, chegaram até nós seja da maneira que for. É o caso das excelentes “Behind the Mask” e da balada suave “Much too Soon“, com letra que parece parafrasear o falecimento de Jackson de maneira poética (”Eu acho que aprendi minha lição muito cedo”). Ambas são sobras de Thriller, e mostram que o que restou da obra-prima vale muito mais do que as novas produções do cantor nos últimos 20 anos.

A gravação com Lenny Kravitz (!) de “(I can’t make it) Another Day” traz todo o mood de Jackson na era Bad, com uma boa performance vocal. “Best of Joy“, que dizem ser uma das últimas gravações do cantor, não compromete embora não fosse ressucitar a carreira de MJ, e mostra sua voz com leves correções digitais que começam a incomodar. E a palavra incômodo cresce de valor no restante do material do disco que pode ser definido como lamentável.

Temos a participação sempre dispensável de 50 Cent em Monster, que tenta reviver o universo macabro do qual Michael se interessava razoavelmente (e do qual acabou virando estrela principal) e falha com redundância em uma produção caduca. “Keep Your Head Up” e “Hold My Hand” também têm um espírito noventista cafona e trazem a suspeita de que Michael não lançava nada pois sabia que não estava trabalhando com o melhor.

Porém “Hollywood Tonight” e “Breaking News” (aquela da polêmica imensa sobre a veracidade do vocal) são caça-níqueis de um nível máximo de desrespeito. Percebe-se claramente que o material ainda estava cru e além do vocal processado irreconhecível, são canções sem a menor força de expressão. Portanto a polêmica não era merecida: as faixas deveriam ter sido ignoradas com veemência.

Musicalmente, “Michael” está longe de ser o epitáfio de Michael. Para isso, prefira o ótimo documentário “This is It“. Mas como o material está nas mãos da gravadora, tudo o que podemos fazer é ficar colhendo pérolas entre os tantos entulhos que provavelmente virão recheando os próximos lançamentos que já foram prometidos.

Fonte: somnacaixablog.