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 No início de Happy Few, exibido quinta à noite na competição, a artesã de joias (Marina Fois) e seu marido Franck (Roschdy Zem) estão num salão de massagens quando marcam um jantar com outro casal. Com Teri (Élodie Bouchez) e Vincent (Nicolas Duvauchelle), eles falarão sobre amenidades e boa cozinha até que o papo os levará a sair dali com os respectivos cônjuges deliberadamente trocados. O objetivo, claro, é a troca de parceiros numa noite que irá se estabelecer como um ritual cotidiano. Como eles chegaram a esse termo será explicado mais ao final do filme, quando já estabeleceram conflitos inerentes a esse tipo de situação, como ciúme e rusgas.

Elenco do filme 'Happy Few' durante a première em Veneza. Foto: Getty Images

Happy Few é dirigido pelo francês Antony Cordier, jovem realizador que vem criando a fama de tratar de assuntos de limite ou polêmica sexual. Mas o que se vê nesse seu filme selecionado para Veneza é que não chega nem a ousar na temperatura erótica, como uma Catherine Breillat faz em seus trabalhos (La Belle Endormie, o mais recente, integra a paralela Horizontes), e muito menos levanta uma discussão mais aprofundada sobre a prática da troca de casais. Chega a ser mesmo conservador na abordagem, apostando apenas em cenas sexuais já habituais no cinema americano, como se isso fosse a conotação que bastasse. No que concerne a princípios e moral dos personagens, demonstra uma visão burguesa que muito tem a ver com a formação europeia.

A julgar pelas suas explicações sobre o filme na coletiva de imprensa, o diretor não pretendia muito mais do que abordar o “swing” como uma maneira de comportamento liberal herdada dos anos 60. “Quero colocar em perspectiva essa geração atual, dos anos 2000, com aquela que conquistou esse direito de se expressar sexualmente há quatro décadas”, disse. “Mostrar que houve um retorno de certa forma a uma culpa, ou ainda, dependendo do personagem, que agora não se sabe mais como lidar com essa liberdade, se é que se pretende lidar com ela”.

O diretor acredita ainda que essa sedução pela troca de casais ocorre a muitas pessoas. “A ideia é que o filme deixe isso menos com estereótipo de perversão e mais como uma face de atitude banal, como era nos anos 60”. Ainda foi questionada a cena em que as mulheres trocam carinhos e tem uma relação sexual, o que não acontece com os homens. “É porque são elas que questionam e tem os problemas que vão surgindo com a relação a quatro e querem mostrar a eles sua posição de rivalidade e ciúmes; além do mais, as mulheres são mais ousadas hoje em dia que os homens”, justificou Cordier. 

Nada contra de quem gosta de “swing”, o importante é usar preservativos sempre.

Lyllyan

Fonte: Terra