Olá,

Olha que história!!!

Richard Jordan tinha tudo o que aprendeu a desejar: carros, uma casa nova e uma noiva. Então sua noiva lhe deixou. Ele vendeu tudo o que tinha, comprou um Lambo Gallardo e resolveu cruzar os EUA. Essa é a sua incrível história.

Trata-se de uma história de amor, mas não uma convencional. Claro, há uma garota. Sempre há. Mas é quando ela sai que o romance de verdade começa. Essa é a história de Richard Jordan, um homem que perdeu seu amor, mas que o encontrou de novo na forma de um exótico esportivo italiano e as vastas estradas americanas. Sua jornada o faria cruzar o país múltiplas vezes: foram mais de 140 mil quilômetros, marca que a maioria dos proprietários raramente alcança em veículos tão valiosos.

Independence Day

Era o começo de 2006, e a versão de Richard para o Sonho Americano acabara de cair sobre seus pés. Após dar à sua namorada um anel e uma casa em um subúrbio no norte do Texas – comprada após vender seu negócio de fabricação de metais, sua casa antiga e alguns de seus carros – ela o deixou.

“Eu comprei a casa para nós e planejei mudar para lá e, assim que o fiz, ela saiu”, explica Richard. “Então fiquei preso a uma casa que eu não queria, em uma área onde não gostaria de estar… foi um tipo de trauma emocional. Então comprei um carro e passei a rodar por aí”.

Não foi tão fácil assim, na verdade. Niguém queria comprar o imóvel. Levou meses para vender o resto de suas coisas. Junto com suas economias, ele pagou 90 mil dólares de adiantamento em um Lamborghini Gallardo.

   

O Gallardo recebeu o nome de um famoso touro espanhol. Despeja brutais 512 cavalos de potência através de seu V10 em posição central. Seu visual afilado corresponde à performance: de 0 a 96 km/h em apenas 4 segundos, com velocidade máxima de 313 km/h no modelo dquirido por Richard. O preço? 180 mil dólares na época da compra.

Depois de achar o modelo ideal e negociar o finaciamento, ele pegou seu Lamborghini Gallardo preto na Lamborghini of Ohio. A data? Quatro de julho de 2006.

O dia da independência dos EUA foi uma escolha quase intencional e irônica, já que ele escolheu a data para se separar de tudo que havia conseguido, mas não queria mais, inclusive a casa.

“Me tornei um prisioneiro da minha casa, de tudo, da minha fantasia do Sonho Americano e qualquer coisa que eu poderia chamar de casa”.

“Eu não sou o Moby”

Com um dos carros mais rápidos do mundo, mas sem destino para ir, Jordan apenas saiu dirigindo. Por mais de um ano ele vagou por aí, vivendo em hotéis de beira de estrada e fazendo novos amigos. Ele cruzou os EUA três vezes e fez viagens de Ohio ao Colorado, depois Texas e Carolina do Norte, descansando apenas uma noite.

“Havia apenas a sensação de que eu não tinha um lar, não havia um lugar seguro senão o Lambo. Era a única coisa que eu sentia que estava a meu favor.”


Ele visitou cidades-fantasma e grandes capitais, e refez viagens de infância. Assim que chegava a um local, ficava ansioso para empacotar tudo de novo e dirigir para outro lugar. Logo ficou difícil bancar a casa em Dallas – a única posse que não podia ser desfeita – e a gasolina. Ele quase perdeu a moradia várias vezes.
“Tenho alguns millhares de dólares em dívidas, não gosto de dever, mas estou acostumado”, diz Richard. “Economizei bastante e as quitei por várias vezes na minha vida.”

Suas andanças renderam tanto humor e alegria quanto instrospecção e isolamento, incluindo uma viagem a um clube de strip-tease em Ohio, onde Richard, então com 32 anos, foi confundido com o músico Moby por uma garçonete que estava convencida de que ele era o músico por causa da cabeça raspada, dos óculos e do carrão. “Essa garota chegou e disse ‘Você é o Moby, não?’ e eu disse ‘Serei quem você quiser que eu seja’, e ela tomou a resposta como ‘eu sou o Moby’.”

Richard não é Moby, mas ele também não recusou as garrafas de champanhe que foram oferecidas de graça. “Foi ridículo, o gerente virou um baba-ovo, devo ter gastado 100 dólares a noite toda e foi muito besta e absurdo”.

“Foi como os Blues Brothers”

Dirigir pelo país em um Lamborghini significa ocasionalmente exceder os limites de velocidade. Richard é honesto com seu desejo de andar rápido e tem um historico de 53 multas para comprovar. Mas não foi exatamente a velocidade que o levou às algemas da polícia de Indiana.

Embora estivesse sempre pulando de hotel em hotel, Richard tinha obrigações familiares, como ser padrinho do casamento de seu primo. A caminho do casamento ele foi parado por excesso de velocidade, mas fugiu da polícia e de repente se viu diante de um bloqueio policial.

Como seu carro estava com o licenciamento atrasado em um dia, os guardas puderam revistar o carro e encontraram uma pistola.

Não viajo sem armas, passei por muitas situações e sempre levei uma ou duas armas comigo”, diz Richard. “Um carro como esse chama a atenção, e você pode estar em uma região segura e simplesmente ser abordado por alguém, e você nunca sabe com quem está lidando”.

No começo ele não compreendeu a gravidade da situação – a polícia pensou que ele estava transportando drogas – então seu comportamento tranquilo, as piadas sobre odiar a cidade em que estava e seu estilo “Blues Brothers” não ajudaram as coisas. Ele foi mantido em uma viatura policial durante quatro horas e só foi tirado de lá quando os tiras perceberam que não conseguiriam colocar o carro sobre a plataforma sem sua ajuda. Ele conseguiu o carro de volta e as multas indeferidas, mas todo o processo custou 25.000 dólares em fianças, viagem e taxas.

147.740 quilômetros

A maioria das pessoas não usa seus carros caros no dia-a-dia exatamente por que eles são muito caros. A quilometragem mais alta de qualquer Gallardo a venda no eBay Motors é 62.500 km de um modelo 2004, mas a maioria tem menos de 15.000 km.

Em suas viagens pelo país, Richard rodou 147.740 km (91.807 milhas, como pode ser visto na foto acima).

“Não conseguiria comprar algo como o Gallardo e dirigir somente no fim de semana”, explica Richard. “A diferença entre ser materialista e não ser, é quando você usa o que você tem”.

Para ele, vale mais dirigir o carro do que evitar a desvalorização de um Lamborghini usado. Chega a ser estranho para ele que outros pensem o contrário.

“Ninguém está preocupado com nada, contanto que o Starbucks e os shoppings continuem existindo. Isso me deixa chocado. Isso acaba comigo, na verdade. Você pode ter algo como o Lamborghini, mas não terá valor algum se você não usá-lo”.

Toda essa quilometragem tem um preço, e agora o carro vale ainda menos. Depois de todas essas viagens, a correia dentada estragou, quebrando as válvulas e transformando o carro em um caro e exótico peso de papel. O Lambo agora vale menos que a grana que ele deve, e o banco recusou outro empréstimo.

“Para mim seria um desperdício não usá-lo. É tudo. Não impora se é uma maldita lava-louças”, diz Richard. “Aquilo não é socialmente aceito. Não é da forma como somos programados… a maioria das pessoas não vive como eu. Eu comeria miojo para comprar gasoilna, só para evitar a monotonia de viver preso entre quatro paredes”.

Considerando a experiência traumática que o levou a comprar o carro, sua destruição não parece afetá-lo muito.

Funcionou todos os dias, funcionou como deveria, nunca quebrou”, garante Richard. “Superou todas as minhas expectativas”. Ele não encara sua falta de carro como o fim da jornada, mas sim como o começo de uma nova, abrindo uma loja em Dallas onde pretende construir motos personalizadas e superbikes. Ele pretende retificar o motor ou comprar um novo logo que puder, mas por enquanto o Lambo serve como uma escultura interessante para mostrar aos amigos e clientes potenciais na sala principal de sua nova loja. Richard também conheceu uma garota, mas quer ir aos poucos com ela.

Seu Lamborghini pode até não andar mais, mas Richard não se arrepende das decisões que fez. Ele usa um tom zen, que contrasta com seu cabelo moicano, quando explica como teve sorte por deixar tudo para trás e realizar algo com o que muitos sonham, mas quase ninguém tem coragem de fazer.


“Você nunca vai viver de acordo com as expectativas de alguém, então você pode viver muito bem de acordo com as suas, e para mim, isso é ser o mais livre que você puder. E se o dinheiro não te compra liberdade, não serve pra nada.

Concordamos plenamente.

Bom, eu fiz as contas aqui, se eu vender tudo dará para eu comprar uma bicicleta sem marcha…Rsss…Vou ter poupar um pouco mais…rsss

Abs.

Lyllyan

Fonte: Jalopnik.