Olá,

Nunca é tarde para se aprender mais ou descobrir mais sobre a capacidade mental de um ser humano, então com isto separei uma matéria muito interessante onde o Dr. Richard Baer comenta de um caso psiquiátrico muito difícil.

Uma mulher, com pseudônimo de Karen Overhill que tinha 17 personalidades diferentes, ou seja, 17 pessoas completamente diferentes uma das outras, em forma de agir, escrever, falar entre outras coisas mais…

Leiam abaixo:

“Curei a mulher de 17 personalidades”

Um psiquiatra americano relata um dos casos mais inusitados já registrados na psiquiatria. Por: Osmar Fraitas JR., de Nova York

Richard Baer mal havia estabelecido seu consultório particular de psiquiatria quando foi obrigado a enfrentar um caso raro e dificílimo. A paciente, que recebeu o pseudônimo de Karen Overhill, o procurou reclamando de dores crônicas e depressão. Ao longo de 18 anos de sessões de análise terapêutica, Baer percebeu que Karen exibia um quadro de Desordem de Identidade Dissociativa (DID), com 17 personalidades. A crônica dessa relação entre o psiquiatra e seu paciente singular está contada no livro Switching Time (Tempo de Trocar), que acaba de ser lançado nos Estados Unido.

FORMAÇÃO
Tem 55 anos. É formado em Medicina pela Universidade de Illinois, em Chicago

O QUE FAZ
Diretor do sistema público de psiquiatria nos Estados de Indiana, Ohio e Illinois. Ex-presidente da Sociedade de Psiquiatria de Illinois

O QUE PUBLICOU
Switching Time, lançado nos EUA

ÉPOCA – Como o senhor conheceu Karen Overhill?
Richard Baer – Ela apareceu em meu consultório há 18 anos, quando eu iniciava minha carreira de psiquiatra. Queixava-se de profunda depressão, perda de memória e desejos suicidas. Era uma mulher de 29 anos, casada e com dois filhos, vivendo na área de Chicago. Karen reclamava de fortes dores crônicas, que ela acreditava ser resultantes da cesariana de sua filha caçula. Pessoas com dores crônicas geralmente sofrem de depressão. Àquela altura, eu imaginava que, se a medicasse contra a depressão, poderia resolver a situação. Como eu estava errado! Nas sessões de terapia seguintes, pude observar características estranhas em Karen, que não se recordava de longos períodos de sua vida. Para lhe dar uma idéia, ela havia ido a um cassino com US$ 25 na bolsa, e acordou, no dia seguinte, com US$ 2.500. Ela não sabia dizer de onde havia surgido aquele dinheiro. Muitos anos depois, descobrimos que ela ganhou tudo aquilo jogando.

ÉPOCA – Quando percebeu que tinha em mãos um caso de Desordem de Identidade Dissociativa?
Baer – Karen começou a se abrir mais, revelando uma história de abusos na infância. Até chegarmos a esse ponto da conversa, já tínhamos 18 meses de terapia. Foi quando comecei a pensar que aquele era um caso de DID, conhecida popularmente como “múltipla personalidade”. Foi nesse período que recebi uma carta, cujo remetente tinha o mesmo endereço da casa de Karen. Dentro, numa letra muito infantil, o bilhete dizia: “Meu nome é Claire. Tenho 7 anos e vivo dentro da Karen.” Era um pedido de socorro de uma das personalidades da paciente. A seguir, enfrentamos mais de uma década de terapia específica, em que procurei trazer à tona todas as personalidades. Essas personalidades foram criadas numa forma de dissociação em resposta a traumas severos. Eram 17, indo desde uma criança de 2 anos (Karen Boo), passando por um menino de 8 anos (Miles), até uma mulher de 34 anos (Katherine) e um homem também de 34 anos (Holdon). Ao revelar todas as faces interiores da paciente, meu procedimento foi procurar reintegrar essas personalidades, fundindo-as em uma única pessoa.

ÉPOCA – Como a família de Karen nunca notou que existia uma verdadeira multidão dentro dela?
Baer – Os parentes e os amigos de Karen percebiam que ela tinha mudanças bruscas de humor. O marido dela, certamente, notou as mudanças de personalidade. Por não entender o que aquilo significava, ficou à procura de maneiras de lidar com isso. Ele percebeu, por exemplo, que, quando falava aos gritos com ela, Karen assumia uma atitude mais madura e responsável. Já os filhos não percebiam grandes problemas. Ou a mãe cuidava deles como um adulto ou ela brincava com eles como uma criança. Como isso ocorre com várias famílias, em que os pais realmente brincam com seus filhos ao mesmo tempo que cuidam deles, tudo parecia normal.

ÉPOCA – Em seu livro, o senhor faz um histórico dos traumas sofridos por Karen. Fala-se em rituais de magia negra, abusos sexuais constantes e torturas, com o envolvimento do padrasto e do pai dele. O senhor acredita em tudo?
Baer – É quase impossível saber ao certo se ela realmente passou por tudo aquilo ou se incorporou como memória algo que tenha lido, ou visto em filmes, ou imaginado. No entanto, permanece o fato de que o padastro e o pai dele realmente abusaram de Karen. O padastro, tempos depois, foi encarcerado por ter molestado outra criança. Existe a certeza de que eles se envolveram com prostitutas e incorporaram essas mulheres em suas fantasias sexuais de abuso da menina. No que se refere ao culto criado por eles, com rituais macabros, eu acredito que aconteceram mesmo, conforme o descrito. Não sei se envolveram um padre. É uma possibilidade. Há também um policial que, segundo os relatos dela, cometeu suicídio. Infelizmente, esses tipos de abuso são comuns. Do ponto de vista psiquiátrico, a história ser verdadeira ou falsa não iria mudar minha conduta terapêutica.

“É necessário um grande trauma para que surjam múltiplas personalidades. Esse trauma pode ser de natureza sexual ou não”

ÉPOCA – Como se faz a reintegração das personalidades?
Baer – É um processo que pode ser muito longo. No caso de Karen, foram 17 anos. Meu livro, embora conte uma história singular, na verdade se propõe a mostrar caminhos dentro dos métodos recomendados para o tratamento da Desordem de Identidade Dissociativa. Basicamente, o que se procura é estabelecer contatos, inter-relações entre as personalidades, até que se consiga fundi-las em uma única. A reintegração depende de cada paciente, de suas necessidades e características específicas.

ÉPOCA – Casos de múltipla personalidade têm sempre alguma relação com abusos sexuais? Se for assim, por que são tão raros quando comparados ao número de vítimas de abuso sexual?
Baer – É necessário um grande trauma para que seja diagnosticado um quadro de dissociação. Esse trauma pode ser sexual ou não. Na literatura sobre as múltiplas personalidades, o abuso sexual parece sempre estar relacionado, mas é possível que outros tipos de abuso motivem o mesmo tipo de dissociação. O que determina casos de múltipla personalidade é o histórico do paciente – tanto as contribuições ambientais quanto as biológicas. As pessoas reagem diferentemente a situações semelhantes.

ÉPOCA – Muitos psiquiatras não acreditam em múltipla personalidade. O que o senhor responde a eles?
Baer – Existem critérios estabelecidos para fazer o diagnóstico da Desordem de Identidade Dissociativa. Trata-se de um quadro clínico reconhecido pela maioria da comunidade psiquiátrica. Eu fui presidente da Sociedade de Psiquiatria de Illinois e conheço bem o assunto. O filme Sybil (minissérie da TV americana de 1976, estrelada por Sally Field e refilmada neste ano para o cinema) retrata uma história baseada na realidade. A paciente Sybil existiu e foi tratada por psiquiatras sérios.

17 Personalidades de Karen

1.      Juliann, de 15 anos, colecionava jornais

2.      Karen, de 10 anos, brincava com outras crianças

3.      Karen, de 21 anos, mãe, adorada pelas pessoas

4.      Karen, de 30 anos, entrou para a terapia

5.      Sandy, de 18 anos, era comilona

6.      Julie, de 13 anos, reclamava de dores nas pernas

7.      Katherine, de 34 anos, mantinha a família de Karen unida

8.      Ann, de 16 anos, era muito religios

9.      Elise, de 8 anos, estava sempre de bem com a vida

10.    Karl, de 10 anos, menino que substituía Miles quando as dores do abuso sexual eram extremas

11.    Miles, de 8 anos, apareceu quando a dor pelo abuso sexual aflorou na terapia

12.    Thea, de 6 anos, nasceu doente

13.    Holdon, de 34 anos, figura paterna

14.    Claire, de 7 anos, foi a primeira a contatar o psiquiatra

15.    Sid, de 5 anos, brincava como um menino

16.    Jensen, de 11 anos, distraía Karen enquanto ela sofria abuso sexual

17.    Karen Boo, de 2 anos, sentia a dor das surras de infância de Karen

Dica: Cuidados com jogos que induzem a pessoa a viver outras vidas, tipo Second Life. A pessoa passa a viver num mundo virtual e imaginário que leva para vida real sem perceber, ficando reclusa a uma tela de computador e sem coragem de falar com o mundo a fora.

As salas de bate papo virtuais e perfis falsos, também favorecem aos problemas de personalidade, isto demonstra a dificuldade que a pessoa tem de aceitar quem ela é  realmente.

OBS.: Ao perceberem qualquer tipo de sintomas diferente em você, parentes ou amigos, o médico deverá ser consultado.

Abs.

Lyllyan

Fonte: Época 20/07/2009.

Link: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI58857-15227,00-CUREI+A+MULHER+DE+PERSONALIDADES.html